
Duda, extremo brasileiro do Boavista campeão em 2001
Extremo brasileiro saíra do FC Porto derrotado pela concorrência poderosa de jogadores de quem "colecionava figurinhas", mas havia um lugar para ele na história.
Ao cabo de uns minutos bons de conversa, rende-se: "Gostava de escrever um livro sobre aquela época no Boavista". Duda tinha 27 anos. Velocidade e ambição tremendas haviam esbarrado nos craques com quem partilhara o balneário no FC Porto, na época anterior.
"Apanhei jogadores de quem até colecionava figurinhas", como Jardel, Drulovic, ou Domingos Paciência. Cedido ao Alverca, no final da época voltou ao Brasil a sentir-se derrotado. Até ao dia em que Jaime Pacheco telefonou. O treinador apresentou-se e seduziu-o para um campeonato de sonho. "Se quiséssemos chegar ao objetivo, teríamos de unir a equipa de uma forma sobrenatural", e "Jaime Pacheco passou-nos isso de uma maneira muito natural". O Boavista era uma frente cerrada. "Unimo-nos tanto, ao ponto de bastar um olhar para o outro e já sabíamos o que tínhamos de fazer, o momento de segurar o jogo, de atacar. Era uma máquina" e tudo à volta ajudava, "um estádio novo, tudo contribuiu" para o primeiro lugar inédito.
"Estava em casa, o telefone tocou. Vanessa atendeu e falou: "Amor, é de Portugal"". Do outro lado da linha e do Atlântico, Jaime Pacheco apresentou-se . Duda fez as malas e voltou ao Porto para ser feliz
Quando o calendário o devolveu a Alverca, na jornada 30, Duda marcou o 0-1 numa vitória (1-2) que já anunciava o título. Nos festejos, deslizou na relva, de joelhos, e começou a remar vigorosamente. Atrás dele, Silva imitou-o, depois Petit (que o assistira no golo), Pedro Santos, Frechaut, todos a remar para o mesmo lado. Nessa madrugada, no regresso ao Bessa, Silva assumiu a ideia, mas Duda conta agora que foi ele quem decidiu remar assim, furiosamente: "Diziam que o Boavista ia morrer na praia. O Alverca vinha de uma série de bons jogos em casa e aquilo ficou marcado: não íamos morrer na praia. Nós costumávamos dizer como íamos festejar, eu, o Silva, o Welliton. Guardei para mim, porque se o Silva marcasse primeiro, ele ia fazer". Nem foi preciso dizer nada para a barca do título ganhar corpo. O Boavista campeão era assim.
