
Ricardo Horta marcou um dos golos do Braga em Famalicão
LUSA
Em grande forma nas vésperas da visita a França, para a Liga Europa, capitão bracarense está imparável nos registos internos, alguns deles históricos. Criativo do Braga anda novamente em maré alta com 148 golos marcados pelo Braga e dez épocas em que não fica abaixo da dezena de remates certeiros. Seleção volta a entrar no radar
Decisivo como sempre, desarmante para os rivais, Ricardo Horta passou a carregar no gatilho com acerto demolidor, fazendo vítimas e animando o Braga a subir à sua condição natural. As três vitórias consecutivas na Liga, o melhor registo da era Vicens, tiveram o selo do criativo, patrão da história e dos números, recordes épicos, deixando marcas inatingíveis por largos anos no clube minhoto. O contributo com golos extraiu-se dos triunfos sobre Moreirense, Arouca e Famalicão, que fizeram o Braga amealhar nove pontos, sacudindo, finalmente, o arranque titubeante do campeonato da I Liga. Com nove temporadas consecutivas no Minho a marcar 10 ou mais golos, alcançando cedo essa fasquia em 2025/26, Horta já apresenta 148 golos ao serviço dos guerreiros, namorando uma dimensão também nacional entre os jogadores que conseguiram ultrapassar essa distinta escala ao longo de tão densa história nos clubes portugueses. É preciso vasculhar arquivos do Benfica para encontrar 12 jogadores acima, alguns deles bem acima como Eusébio, Nené ou José Águas, 10 do Sporting, entre eles Manuel Fernandes e Peyroteo, 5 do FC Porto, com Fernando Gomes e Hernâni à cabeça. Fora do espetro dos ditos grandes, registo apenas para Matateu e Rafael Correia, no Belenenses, e Bentes, na Académica.
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Sintomático o esforço de Horta numa era moderna, em que se tornou particularmente difícil um jogador ostentar volumosas temporadas com a mesma camisola. Com os atuais 148 golos, está a caminho de importantes e inevitáveis ultrapassagens, inclusive de dois integrantes dos Cinco Violinos. Eis os nomes já mais acessíveis: Pinga (FC Porto, 149), Albano (Sporting, 149), Figueiredo (Sporting, 150), Guilherme Espírito Santo (Benfica, 152) ou Jesus Correia (Sporting, 154). Referências que ainda nos são próximas, Nuno Gomes (Benfica, 166) e Jardel (FC Porto, 168), não estão longe. Na Pedreira, o pedestal é de Horta, e o prestígio já vingou internacionalmente também pelo espaço conquistado na Seleção, estando o extremo na posse de admiráveis 12 internacionalizações e uma presença de gabarito no Mundial do Catar em 2022, ainda no reinado de Fernando Santos. É também um novo Mundial a pairar que reabre o foco do craque dos bracarenses, sempre como uma extensão do seu protagonismo no clube de António Salvador. Horta deixou escapar que trabalha afincadamente para abanar a hierarquia das escolhas de Roberto Martínez e, naturalmente, alimentado pela sede de dar algo mais luminoso ao Braga, sabe que pode ser contemplado com o seu nome em mais uma distinta fase final, num Mundial cheio de atrações apontado para os Estados Unidos, México e Canadá.
Para já, há outro desafio no caminho, não tendo Horta qualquer relação com missões impossíveis. Não marcou ainda em França, nas duas oportunidades que teve, em duelos com Marselha e Mónaco. O momento diz que é o perigo número 1 para o Nice agudizar a sua crise.
Nice perde com o Angers
O Nice, próximo adversário dos bracarenses na Liga Europa, continua mergulhado numa crise de resultados, depois de ontem ter perdido em casa com o Angers, por 1-0. O golo da equipa visitante foi apontado por Belkhdim, aos 33", e o Nice esteve em inferioridade numérica quase toda a segunda parte, depois da expulsão de Tom Louchet (53"). O treinador experimentou algumas mudanças táticas, arrancando com uma defesa a três, cinco médios e dois avançados, mas a equipa continua a não conseguir dar sinais de retoma, ocupando o 12.º lugar da tabela classificativa.

