
Ivo Pereira/Global Imagens
Iker Casillas concedeu uma entrevista ao Porto Canal, na qual fez um balanço de ano e meio no FC Porto e explica detalhadamente o motivo para o ingresso no clube.
Balanço de ano e meio no FC Porto: "Primeiro balanço: não era o que queria. Sou um ganhador e não consegui ganhar nenhum título pelo FC Porto no primeiro ano, na segunda temporada é difícil, houve muitas mudanças, o clube decidiu assim e logo decidimos retomar as primeiras posições na Liga e nas outras competições. Tivemos a oportunidade de conquistar a Taça de Portugal, numa partida que dominámos do princípio ao fim e, sem darmos conta, ao minuto cinco da segunda parte estávamos a perder 2-0. Fizemos uma boa remontada, mas os penáltis... é que o têm. E o que eu quero é títulos para o FC Porto!"
Taça foi o momento mais triste que teve no FC Porto? "Negativo é quando não podemos conquistar nenhum título depois de fazeres o teu trabalho. A tua intenção é trabalhar no máximo e o que pretendes no final é festejar com os teus companheiros, dirigentes e os adeptos. Tivemos essa oportunidade de chegar a essa final da Taça, que é uma final mágica, em que todo o mundo quer estar, o ambiente, adeptos das duas equipas, o presidente da República, muita gente está à espera dessa partida. Depois de estarmos a perder 2-0, empatámos a dois, depois passámos aos penáltis e isso é sempre uma lotaria. Ficamos tristes, sobretudo pela quantidade de gente afeta ao FC Porto. Não foram só as pessoas de Lisboa que gostam do Porto que foram ao campo, foram de todo o país e do mundo".
Suplente no Jamor: "Já estava mais ou menos assumido pelo treinador que o Helton merecia a confiança nesta competição. E o que eu podia fazer apenas era apoiá-lo. Mas realmente é um ambiente diferente, aconteceu comigo em Espanha, vivi algumas dentro de campo e outras fora, mas sempre de uma forma muito excitada".
Momento positivo: "Recordo-me do jogo com o Benfica aqui no Dragão na época passada, ganhámos 1-0. O clima era impressionante, até nos dias que antecederam a partida. Aqui é que te dás conta que os clássicos são os clássicos".
Motivo para escolher o FC Porto: "Foi uma decisão complexa, mas dado que a etapa no Real Madrid estava a chegar ao fim desde janeiro/fevereiro de 2015, mais do que nada pelo ambiente que estava a viver, já pensava antes em tomar uma decisão. E chegámos ao momento certo, em que teríamos de pensar e escolher e creio que o melhor para todos era que saísse de Madrid. Era o encerrar de uma etapa. Tinhas de reagir, pensar friamente e acho que era o momento. Cheguei a pensar em deixar o clube no ano anterior, depois de ganhar a Champions em Lisboa, mas por circunstância do clube e a nível geral, decidiram que tinha de sair outro companheiro, que foi o Diego para o Milan e eu segui mais um ano. Mas o ambiente era muito complicado... Depois de Lisboa, já tinha falado com pessoas do clube em deixar o Real, não abandonar a carreira. Ganhei a Taça de Espanha e a Liga dos Campeões em 2015. Era melhor ser assim, tranquilamente. Mas, perante o que se passou, ficou provado que o melhor era mesmo não ter continuado. De todas as possibilidades que se colocaram, esta era a que mais me agradou, pois não segui vinculado a Espanha, nunca sabe o que podia acontecer. Tinha de mudar de ares, apesar de ser uma pessoa muito agarrada ao seu país e à sua cidade, aos seus amigos, à sua gente. Isso era um problema para mim. Mas o Porto como estava perto de Espanha, na Península Ibérica e é um clube que considero um grande, optei por vir para ajudar o clube a voltar a ser campeão".
Influências para a decisão: "Sabia que havia também outros jogadores espanhóis que jogavam aqui e isso abria as portas. Isso era bom, sobretudo para o início".
