"Braga favorito? Temos que ganhar o direito de conquistar o jogo através do esforço"

Carlos Vicens
LUSA
V. Guimarães e Braga defrontam-se no sábado, na final da Taça da Liga. Confira a antevisão de Carlos Vicens, treinador dos arsenalistas
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O Braga tem mais troféus que o V. Guimarães, desde logo três Taças da Liga enquanto o rival ainda não conquistou esta prova, e nas últimas duas décadas tem mostrado quase sempre superioridade, conseguindo melhores classificações no campeonato. Contudo, para Carlos Vicens isso "não conta para nada" e não dá favoritismo aos bracarenses. "Não, nada. É um jogo diferente, com uma energia especial, uma final, um dérbi. Tudo o que aconteceu [no passado] não serve para nada, mesmo o nosso bom jogo com o Benfica não conta para nada. Amanhã [sábado] começa 0-0, não começa 1-0, e temos que ganhar o direito de conquistar o jogo através do esforço, de ser competitivos, de nunca deixar de lutar e saber sofrer", disse na antevisão da partida.
O técnico espanhol quer um Braga a "impor o seu jogo" diante de um V. Guimarães a quem deixou elogios. "Vai ser um jogo muito difícil, o Vitória vem de uma dinâmica positiva, é uma equipa em crescimento, pode ver-se o trabalho que se está a fazer lá, é uma equipa que não se rende, como ainda vimos recentemente, dá tudo, é uma equipa solidária e trabalhadora, que sabe jogar e que vai apostar as suas cartas para ganhar". Para contrariar os rivais de Guimarães, Carlos Vicens quer um Braga "com muita personalidade, capaz de impor o seu jogo e ter o caráter necessário", garantindo uma equipa "muito motivada e com a energia muito alta".
"Temos que saber viver os momentos do jogo que não vão estar a teu favor, reagir às adversidades, e ter uma mentalidade muito forte pada dar melhor versão e conseguir essa vitória que nos faria muito felizes", disse. Carlos Vicens disse ainda que tentará que o dia de preparação de hoje não seja diferente. "Como equipa técnica e staff temos que ajudar os jogadores o melhor possível, ajustando a carga e o nível de informação, são 35 jogos [esta temporada]. Temos que lhes dar a dose de informação, treino e recuperação que façam falta. Vejo muitos jogos do rival para preparar bem o jogo e tentar ajuda a equipa desde a minha posição".
O Braga jogou com o Benfica na quarta-feira, pelo que tem menos um dia de descanso que o Vitória de Guimarães, que venceu o Sporting na terça-feira (2-1) e Carlos Vicens quer ver a primeira meia hora do jogo para uma melhor avaliação dos níveis de energia da equipa.
"Vamos descobrir isso amanhã [sábado], podemos imaginar que este ou aquele jogador podem estar mais ou menos recuperados, mas a primeira meia hora vai ser importante para avaliar isso. Às vezes acontece que os indicadores de recuperação dizem uma coisa, mas até que o jogador esteja a disputar o jogo e os desafios físicos e mentais que ele traz, aí é que vamos ver, se duram 80 ou 90 minutos ou se 55 ou 60 minutos e precisas de fazer uma substituição. São os aspetos a que vamos ter que estar mais atentos", disse.
Sobre o boicote das claques bracarenses aos jogos da Taça da Liga, o treinador disse respeitar a opinião dos adepto, mas afirmou que a equipa se sente apoiada. "Estando ou não presente essa fação dos adeptos, sentimos esse apoio mais espiritual, se quiserem. Sei que nos vão apoiar e isso sente-se um pouco por toda a cidade, vão estar presentes na nossa saída de autocarro para Leiria à tarde", disse.
Questionado sobre a importância de uma final entre duas equipas fora dos denominados "três grandes" do futebol português, Benfica, FC Porto e Sporting, o treinador notou que isso será avaliado depois, nomeadamente em relação à cobertura e à importância que a comunicação social dará ao jogo. "Mas, penso que pode ser positivo [para o futebol português], porque mostraram, ambas as equipas, que estão na final por mérito próprio e isso demonstra o nível do futebol português e o trabalho de muitos clubes e muitos treinadores para além desses clubes mencionados. Há que valorizar isso", concluiu.
