Barba foi abaixo ao fim de dez jogos. Uma história do Campeonato de Portugal

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Flávio das Neves prometeu que só voltava a barbear-se quando sofresse uma derrota. Jura durou de fevereiro até ao passado domingo.
Flávio das Neves chegou ao comando técnico do Cesarense quando faltavam 12 jornadas para acabar a época e com o objetivo da subida no pensamento. Depois de um empate na estreia (0-0 com o Sousense), o treinador conheceu o sabor da derrota na Trofa (2-0) e foi de tal forma amargo que Flávio das Neves fez uma promessa: só voltava a cortar a barba e a mudar de roupa ao domingo quando voltasse a perder. E se em fevereiro, o clima até convidava a usar camisola interior, camisola grossa e casaca, o mesmo já não se aplicava no domingo passado em que os termómetros atingiram temperaturas primaveris, mas Flávio das Neves não quebrou o juramento e foi assim que se apresentou. "Eu nem gosto de usar barba", salientou.
O último encontro da Série B do Campeonato de Portugal não podia ser mais matreiro para Flávio das Neves. O treinador do Cesarense tinha como adversário a Sanjoanense, nada menos que o clube do coração, da sua terra e do qual é sócio, factos que não escondeu, e que estava obrigada a vencer para não descer de divisão. Contudo, o Cesarense, apesar de já ter a permanência garantida e a subida fora do alcance, não queria perder a partida por vários motivos: almejava chegar ao segundo lugar (dependia de terceiros), queria terminar a época como a única equipa do agrupamento sem perder em casa e manter-se como a melhor defesa do campeonato com menos derrotas (4) e menos golos sofridos (26). "Os fatores para querermos ganhar o jogo eram muitos", defendeu Flávio das Neves, garantindo que o emblema de Cesar "tudo fez para ganhar". "Eu era a única pessoa que ia perder neste jogo. Perdendo tinha a massa associativa de Cesar em cima. Ganhando, em São João da Madeira, onde tenho muitos amigos, iam dizer que sou este e sou aquele", afirmou, revelando nada saber quanto ao seu futuro como treinador.
