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Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens
Na entrevista à Rádio Inquieta, o presidente António Miguel Cardoso explica porque é atualmente há muitos jogadores que desejam representar o Vitória de Guimarães.
Presidente do Vitória Sport Clube desde março de 2022, António Miguel Cardoso faz um balanço da época desportiva e diz, por exemplo, que a maior dificuldade de "um mandato desafiante" são as questões do passivo e das dívidas. Fala, também, do "risco calculado" com a equipa B, que desceu ao campeonato de Portugal.
Que balanço faz desta época desportiva?
"Acho que é um balanço positivo. Não estou totalmente satisfeito, porque queremos sempre mais e o Vitória tem obrigação de procurar sempre mais e mais vitórias e mais títulos. De qualquer forma, analisando tudo o que passou durante esta época, não deixo de estar muito satisfeito e por isso acho que as coisas correram bem, os objetivos foram alcançados. Fez-se aqui uma pequena revolução ao nível do plantel, da estrutura da técnica, por isso é balanço é bastante positivo."
Desafiante este primeiro ano de mandato?
"Sim, acho que é desafiante. Nada que não estivesse à espera em termos do que é a dificuldade dia a dia, do que temos de viver, mas de alguma forma estava preparado e sinto-me preparado. Mas a exigência é máxima e obriga-nos a estar constantemente a pensar Vitória nas 24 horas do dia. É exigente, mas é o que nos dá prazer."
O Vitória de hoje é melhor do que estava no passado?
"Desde que foi fundado, a tendência é melhorar no dia-a-dia. É assim que temos que ver e amanhã estará, de certeza absoluta, melhor do que nos dias de hoje. A perspetiva desta direção é um dia sair deixando o Vitória melhor do que estava. É essa a nossa obrigação, é por isso que que lutamos todos os dias. Ficarei muito satisfeito se isso acontecer, e acho que tem acontecido. Mas o mais importante é que o clube continue a crescer e que possa expandir e que exista cada vez mais gente a apoiar, como temos assistido. Esta ligação entre os associados e os apoiantes do Vitória é que é importante. E eu sinto o clube a acrescer."
Qual foi o maior desafio deste primeiro ano de gestão? Equilibrar as contas, baixar ao passivo?...
"Desafios temos todos os dias a todos os níveis e alguém que esteja no Vitória todos os dias observa problemas, desafios. Uns mais complicados do que outros. As maiores dificuldades que senti e sinto foi, claro, a questão do passivo e das dívidas. E nós, quando ganhámos as eleições, as responsabilidades são nossas a partir do dia um. Não podemos dizer que foram os outros, porque nós é que temos de pagar e cumprir. E se não o fizermos somos acusados de não estar cá a fazer nada. Quando entramos esse peso e essa responsabilidade é automático e faz parte do nosso dia a dia."
Que outras dificuldades encontrou?
"Aparecem dificuldades onde menos esperamos todos os dias. Mas o caminho tem sido feito e, obviamente, que estou satisfeito. Como pessoa sinto que faz parte da minha evolução. Tenho orgulho naquilo que estamos a fazer, como equipa, a todos os níveis e queremos muito mais."
No primeiro dia da pré-temporada disse que acreditava que iam ser cumpridos os objetivos. Tendo em conta que o treinador era inexperiente na I Liga, a direção é nova, os jogadores são maioritariamente inexperientes, muitos vindos da equipa B, esse sentimento era real?
"Criam-se mitos muito facilmente. O que disse na altura foi "acreditar sempre, prometer não prometia absolutamente nada" porque não devemos fazer promessas. Estava plenamente convicto que iríamos às competições europeias. Se trabalharmos no dia a dia com rigor, com critério, formos coerentes e se acompanharmos uma equipa de futebol no dia-a-dia e se criássemos um bom grupo, isso era possível. Não acho que tenha sido demasiado ambicioso. Subiram alguns jogadores jovens, corremos algum risco, mas calculado. Mas virmos os jogadores que entraram estava plenamente convicto que iriam ajudar, como ajudaram. Acabámos a época e vemos por exemplo a diferença que fez o Mikel Villanueva, o André Silva, o Jota, o próprio Zé Carlos, o Anderson, o Safira e muito mais. Há tantos jogadores que entraram neste espírito. Sempre estive convencido e continuo a achar que tínhamos um bom plantel, o Moreno, com a sua equipa técnica fez um bom trabalho. Os jogadores que cá estavam são todos os excelentes, e com a equipa que tínhamos, era justo acreditar que era possível. Era preciso passar para dentro do grupo. Nos primeiro dias foi uma das dificuldade que tive, porque sentia que existia uma comunicação para fora que os jogadores não tinham qualidade, eram muito jovens, não estavam preparados, e essa era a comunicação que estava a ser feita para fora e preocupou-me. Por isso, fizemos alterações, porque é importante passarmos para dentro e para fora confiança e qualidade. Se isso acontecer os resultados aparecem, se não tivermos confiança as coisas não acontecem.
Continuará a política de promover jogadores da equipa B para a equipa A e recrutar jogadores no mercado interno, como aconteceu com Jota Silva, Zé Carlos, Safira, Manu Silva ou André Silva?
"Não tenho dúvidas que é essa a estratégia do Vitória e só assim é que faz sentido. Estando financeiramente melhor ou pior, a lógica é trabalhar os jogadores da formação, encontrar jogadores em Portugal, porque já estão identificados, mas nunca descurando o mercado global. É isso que vamos continuara a fazer. Para a próxima época o trabalho é exatamente o mesmo. Sabemos que é este o caminho do Vitória e nem pensamos ir por outro lado."
Há muitos jogadores a querer jogar no Vitória?
"Acho que sim. O Vitória é o Vitória e só por isso qualquer jogador quer jogar no Vitória. Mas acho que neste momento é atrativo, o jogador está informado, sabe o ambiente que existe, sabe que investimos no potencial e na evolução de jogadores que temos uma equipa técnica que está atenta. Acredito que os jogadores, a nível nacional, queiram muito vir para o Vitória. É mais fácil para nós irmos à procura desse talento, o Vitória é um clube sexy e por isso acredito que sim."
