
André Villas-Boas
Pedro Granadeiro / Global Imagens
Destacando o início histórico assinado por Farioli, o líder dos dragões encontra paralelismo com o "seu" FC Porto. Presidente diz que a força do FC Porto é a união e o compromisso e que, dessa forma, a equipa é imbatível. Ano passado serve de aviso para uma maratona em que "a distância pontual é sempre curta".
No final de um treino aberto com quase 30 mil pessoas nas bancadas do Dragão, André Villas-Boas renovou os votos de sucesso para o novo ano, elogiou a forma como Francesco Farioli tem conduzido a equipa e até a comparou com a que orientou em 2010/11 e que venceu tudo, dentro e fora de portas. "Queria começar por desejar um bom ano a toda a família portista, que seja um ano de grandes conquistas. A força do FC Porto é o seu sentido de união e compromisso. Quando estamos juntos e envolvidos no mesmo objetivo, somos imbatíveis, precisamos que os adeptos nos empurrem. Sente-se no ar essa união entre a equipa e os adeptos. É fundamental receber todo este carinho. Num dia frio e de chuva, estarem aqui 30 mil pessoas reforça esse sentimento de união e compromisso. Espero que as equipas continuem a estar à altura das expectativas e a atingir o sucesso", referiu, deixando logo um alerta. "Há um ano tínhamos os mesmos desejos e sonhos e vimos como as coisas são capazes de se desmoronar. Por isso, o compromisso é fundamental, a continuação de vitórias, o sentido de exigência, o rigor e a determinação para atingirmos os nossos objetivos", sublinhou, consciente de que "qualquer distância pontual é sempre curta", porque o campeonato "é uma maratona" e é preciso "levar os objetivos até ao fim". "Que a equipa nos continue a dar estas alegrias com o mesmo foco e ambição para atingir o objetivo do título, que é o que mais desejamos, não só no futebol como nas outras modalidades", acrescentou.
Após ouvir Francesco Farioli dirigir-se aos adeptos em português, Villas-Boas apontou o caminho para o sucesso, alertando para os obstáculos. "Estamos habituados a ter de construir a nossa fortaleza contra as desigualdades cada vez mais crescentes contra o FC Porto, os seus feitos, os seus jogadores e os seus técnicos. Um sentimento cada vez mais premente e presente nos órgãos de Comunicação Social, que nos atacam diariamente. Recordo que o FC Porto, até ao momento, atingiu os seus melhores registos de sempre da história e isso reflete o sentido de compromisso do míster com o clube e com os seus jogadores", sublinhou, numa altura em que o nome de Farioli foi associado ao Chelsea [ver páginas 4 e 20]. E se 2025 terminou em grande, o novo ano promete arrancar com grandes desafios. "Estamos a meio do caminho, janeiro será um mês complicado com as deslocações difíceis aos Açores e a Guimarães, com o Benfica no Dragão para a Taça. Queremos muito sonhar com os títulos no futebol e, para isso, é preciso continuar a apoiar esta equipa, reforçar o seu compromisso e transmitir esta energia interna para todos nos transcendermos até ao título", atirou.
Com 15 vitórias em 16 jornadas, a presença nos quartos de final da Taça de Portugal e o apuramento na Liga Europa bem encaminhado, o FC Porto de Farioli segue imparável e faz Villas-Boas recuar no tempo até 2010/11, quando era ele o treinador de uma equipa que venceu tudo. "Tínhamos uma equipa talentosa com jogadores fora de série, mas, sobretudo, tínhamos uma mensagem interna muito forte, o espírito motivacional ia crescendo a cada jogo e há aqui muita coisa que podemos comparar com essa época, uma equipa que nunca desiste, que transmite energia positiva, que tem uma garra e determinação como poucas. Encontramos este paralelo com 2020/11 quando é preciso lutar até ao fim, cada jogo transmite uma imagem motivacional mais forte no sentido de conquistar a vitória. Voltamos a ter um guarda-redes capitão como em 2011 e são estas mensagens internas de força que temos de passar uns para os outros até ao título final", concluiu.
Atingir aos 250 mil sócios em três anos
O crescimento associativo no FC Porto tem atingido níveis nunca vistos. Basta dizer que nestes primeiros seis meses de 2025/26 já se inscreveram mais sócios (18 575) do que em toda a época passada (17 500) e o dobro dos registados em 23/24 (9 904). Villas-Boas agradece, mas aponta a mais. "É um reflexo de uma nova ligação do FC Porto com os adeptos. Queremos continuar a criar cada vez mais laços para que esta união se prolongue no tempo e continuarmos a crescer. Temos o objetivo de chegar aos 250 mil sócios nos próximos três anos. Faz parte do nosso plano estratégico delineado para os cinco anos do mandato. Em abril cumprem-se dois anos enquanto presidente e queremos caminhar até aos 250 mil", referiu, considerando que isso é "um bom reflexo da força do FC Porto, do que são os princípios e valores" do clube.
Recorde-se que, no dia de Natal, o FC Porto chegou aos 170 mil associados, sendo que 18 575 inscreveram-se desde o início desta temporada, com a curiosidade de dois terem mais de 100 anos de idade e um mais de 90. Cerca de 20% dos novos associados são infantis, 11% juniores e 69% seniores com a faixa etária entre os 20 e os 29 a dominar. Os homens representam 73 por cento.
"O que nos une enquanto portistas é o sentimento de vivência do clube, a transcendência, o amor pelos valores e princípios e o respeito enorme pela camisola. Somos uma "famiglia" como diz o treinador, uma família portuguesa e bem portuense. É esse espírito que temos de manter", referiu André Villas-Boas.
Farioli quer manter a energia até maio
Italiano agradeceu aos adeptos em português e diz que está na hora de a equipa retribuir o "amor incondicional" recebido das bancadas. Treinador diz que falou para dentro porque "para fora não importa". Consciente de um janeiro difícil, apelou à união e assumiu que a intensidade no Olival ainda é maior do que a vista ontem.
Farioli como nunca se tinha ouvido. Mal terminou o treino aberto, o italiano dirigiu-se em português aos quase 30 mil adeptos presentes. "Boa tarde, família portista. Bem-vindos à vossa casa, filhos do Dragão. Agradecemos o vosso apoio e o vosso amor incondicional. Seguimos juntos com força, coragem e paixão. Viva o FC Porto, obrigado", atirou, recebendo a maior ovação da tarde. "Ontem tentei memorizar as coisas que tinha de dizer. Foi para dentro, para fora não importa", explicou mais tarde aos microfones do Porto Canal. "Começar o ano com estas energias é único, gostaríamos de treinar sempre assim, as emoções sobem, a intensidade também e a adrenalina está alta. Estar tanta gente aqui num dia de chuva para dar este empurrão aos jogadores é incrível. É um privilégio e temos de continuar a trabalhar forte para manter esta conexão, este amor incondicional porque eles deram-nos muito no início da época sem nós lhe darmos nada em troca. Está na hora de retribuir e aumentar esta conexão", frisou.
Esta foi a primeira experiência de Farioli naquela que é uma tradição do clube. "Foi fantástico ter tanta gente no primeiro treino do ano, no discurso agradeci o apoio que temos dos adeptos desde o primeiro dia. Precisamos desta energia até ao final da época, de preferência com o Dragão sempre cheio, com os adeptos connosco, a família portista em 2026", atirou.
O treino serviu de preparação do encontro com o Santa Clara, o primeiro de um mês de janeiro muito preenchido, com "muitos jogos importantes na Taça, Liga Europa e campeonato". Partidas que o treinador considerou decisivas para tentar manter a equipa viva nas provas. "Na Liga Europa é fundamental conseguir o top-8. Já todos viram que o campeonato é competitivo e é importante tentar manter o ritmo e continuar em frente. Com os adeptos do nosso lado vai continuar a ser complicado, mas seguramente mais fácil", considerou.
Farioli falou ainda da intensidade do treino que os adeptos testemunharam. "No Olival é assim, às vezes ainda pior, sem as câmaras e os adeptos a competição é ainda maior. É o que precisamos porque a cada três dias temos jogos e temos de estar com o gás todo. E para jogar bem temos de treinar bem. As sessões de treino boas não garantem vitórias, mas ficamos mais perto do sucesso", concluiu.
Sem contacto ou interesse no Chelsea
Maresca foi despedido e Farioli entrou nos rumores. SAD tranquila, treinador comprometido.
O Chelsea fez história ao despedir, pela primeira vez na Premier League, um treinador no dia 1 de janeiro e já está à procura do sucessor de Enzo Maresca. Em Inglaterra, alguns meios de Comunicação Social colocaram Farioli na lista de nomes a serem avaliados pelos donos do clube londrino, mas ao que O JOGO apurou não existem contactos nem sequer interesse do treinador em mudar-se nesta fase da sua carreira para Inglaterra. E muito menos para um projeto como o do Chelsea atual, que atravessa vários problemas internos após sucessivos investimentos milionários que não têm sido acompanhados pelos resultados dentro das quatro linhas.
A cláusula de rescisão de 15 milhões de euros, valor que teria de ser pago de uma só vez, o que obrigaria a depositar quase o dobro por causa dos impostos, deixa a SAD azul e branca tranquila nesta fase da época, mas mais ainda por saber que Francesco Farioli está totalmente comprometido com o FC Porto, onde pretende conquistar títulos. Além disso, naturalmente, não há qualquer abertura por parte de André Villas-Boas para ouvir eventuais interessados, não admitindo a saída a meio do treinador que devolveu a esperança aos adeptos no regresso aos Aliados. O FC Porto entende como natural que o nome de Farioli surja nos rumores de mercado à boleia dos resultados que o italiano tem conseguido no Dragão.
Na lista do Chelsea, existirão, sim, três nomes a serem equacionados nesta altura: Liam Rosenior, do Estrasburgo, clube que também pertence ao consórcio BlueCo, Andoni Iraola, do Bournemouth, e Régis Le Bris, do Sunderland.

