
André Franco
André Rolo
ENTREVISTA, PARTE X - André Franco teve convites mais vantajosos financeiramente, mas o sonho americano falou mais alto e não se arrepende. Apesar da grave lesão, o clube negociou com o FC Porto o passe do médio, que assinou por dois anos e meio, uma enorme prova de confiança. Ajuda dos dragões no processo é reconhecida
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André Franco explica as razões pelas quais preferiu mudar-se para um campeonato menos mediático. O azar bateu à porta, mas não está arrependido da escolha que fez no verão.
Porque escolheu o Chicago Fire? Seguramente teve propostas da Europa ou até de Portugal...
-Tive várias aproximações aqui na Europa e também em mercados alternativos como a Arábia Saudita, mas senti que não era o momento. Sempre tive um grande fascínio pelos Estados Unidos, pela cultura do desporto de lá e queria muito ir. Em janeiro, tive uma oportunidade, não para Chicago, mas não foi possível com o FC Porto. Foi na altura da mudança de treinador, quando saiu o Vítor Bruno e chegou o Anselmi, e não se concretizou. Mas o sonho ficou e assim que tive a oportunidade... recebi propostas em termos monetários muito mais elevadas, mas escolhi pela qualidade de vida, por um sonho que tinha de jogar nos Estados Unidos. Depois, foi a equipa onde eu senti que me queriam mais, que fez mais esforços, tendo um treinador português [adjunto] que me tem ajudado muito, o Filipe Çelikkaya. Foi ele que me ligou e insistiu várias vezes para ir, mostrou-me o projeto e as instalações. Depois, numa fase posterior, falando também com o diretor-desportivo, que é treinador em simultâneo, o Greg [Berhalter], senti que era por aí o meu caminho e não estou nada arrependido.
Prova disso é que mesmo com a lesão, acionaram a opção de compra...
-Assinei por dois anos e meio, na altura da lesão... Cheguei a Chicago e senti-me valorizado, senti-que os adeptos gostavam da minha forma de jogar e comecei a ganhar outra alegria no futebol. As coisas começaram a surgir outra vez naturalmente, foi pena que foram só seis jogos, mas nesses seis jogos consegui impor uma marca e deixar o meu cunho na equipa. Acho que foi por isso que eles decidiram acionar, não foi bem um acionar da cláusula porque negociaram, baixaram um bocadinho. Houve muito bom senso da parte do FC Porto. Podiam dizer que é este valor ou ele vem para cá recuperar. Desde a altura da lesão que falo com o diretor, o Henrique Monteiro, que me colocou à vontade, se tivesse que voltar teria todas as condições para recuperar. Mas disse-lhe que, dadas as circunstâncias, o que tinha passado no verão, o melhor era seguir lá e perguntei se me podiam ajudar nisso. Foram impecáveis, ajudaram-me a que ficasse por lá. Entre mim, o Chicago e FC Porto todos fizemos umas cedências para toda a gente conseguir ficar feliz no fim do negócio.
Imagino que esta decisão do Chicago tenha dado ainda mais força para a recuperação?
-Claro que sim. O mais fácil era, "olha, aconteceu isso, gostámos muito dos jogos que fizeste aqui, mas pronto, é uma amostra muito curta e vai à tua vida, trata-te e depois, em agosto, logo se vê". Era muito fácil para eles, por isso é que eu também valorizo muito o que o Chicago Fire fez por mim, porque apesar de eu ter tido um impacto positivo na equipa, esta não era a decisão mais fácil para eles. Desde a primeira noite, quando me aconteceu isso em Miami, comunicaram logo que iam negociar com o FC Porto, queriam que ficasse porque causei um bom impacto na equipa, não só dentro do campo, fora também. Isso tranquilizou-me um pouco na altura da lesão.
"Podemos ganhar a MLS"
Este ano, o Chicago Fire foi eliminado na primeira ronda do play-off de apuramento de campeão. Os objetivos para 2026 ainda não foram falados internamente, mas André Franco acredita ser possível, a médio prazo, chegar ao título. "Era muito fácil dizer o politicamente correto, vamos ver jogo a jogo, e a verdade é que não faço ideia quais são os objetivos coletivos na próxima temporada porque ainda não falámos sobre isso. Mas tenho os meus e acho que podemos aspirar a ganhar a MLS no próximo ano ou nos próximos anos. Nestes dois anos e meio, o meu objetivo pessoal é ganhar a MLS. Acredito que com um ano inteiro a trabalhar com a equipa toda, que é bastante competente, podemos perfeitamente aspirar ao título", atirou.

