"Era inevitável a expulsão de Bruno de Carvalho, é consequência das ações do próprio"

"Era inevitável a expulsão de Bruno de Carvalho, é consequência das ações do próprio"
Miguel Gouveia Pereira

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Miguel Poiares Maduro, apesar de triste por um sócio com muita paixão pelo Sporting tenha sido expulso, espera que se tenha encerrado um ciclo

Miguel Poiares Maduro, reconhecido sportinguista e antigo ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, durante o governo de Passos Coelho, deu conta das suas expectativas para a próxima época, à margem de um evento organizado pelo International Club Portugal num hotel em Lisboa. "Ainda estamos na expectativa, apesar de achar que foram muito positivos os resultados da época passado num contexto muito difícil. Isso cria um contexto favorável, relativamente ao futuro o clube ainda temos de esperar. É cedo ainda para vermos aquilo que vai resultar o trabalho da atual liderança", considerou o ex-governante, apontando o caminho: "É mérito acima de tudo dos sportinguistas. Há decisões que tomaram que foram positivas, outras suscitam algumas dúvidas. Do ponto de vista dos sportinguistas, não conhecendo o que foi feito internamente, penso que há muito para fazer em termos de gestão profissional, há muito para fazer em termos de capacidade desportiva que o clube tem de conseguir gerar num contexto em que tem menos recursos financeiros do que os principais rivais".

Outro dos temas abordados foi a expulsão de sócio de Bruno de Carvalho. "Essa expulsão é consequência das ações do próprio ex- presidente. Entristece-me imenso um sócio do Sporting, que eu acho que tinha uma grande paixão pelo clube, tenha sido expulso. Mas o comportamento que teve, principalmente na violação grosseira dos estatutos para se tentar manter no poder, foi o que justificou a expulsão, por isso é que eu era favorável à expulsão com muita pena minha. Mas acho que era inevitável. Que seja sobretudo um fechar de um ciclo e que agora os sportinguistas possam concentrar-se naquilo que era importante, que é o Sporting e não o Bruno de Carvalho. O clube é dos adeptos e não de um presidente. Precisamos estar unidos para ultrapassar os desafios, ainda temos enormes constrangimentos financeiros e há diferencial em relação a outros clubes, o que explica também o diferencial competitivo que tem havido no futebol. É fundamental que todos se concentrem, até na própria exigência para com a direção", rematou, manifestando-se ao lado de Frederico Varandas na luta pela defesa dos clubes formadores, como fez questão de frisar na reunião mantida com o presidente da FIFA, Ginno Infantino, na passada quinta-feira: "Concordo com isso, como tive oportunidade dizer, tenho muito pouca esperança que as entidades internacionais caminhem no sentido de proteger os clubes formadores e de proteger os campeonatos nacionais."

Poiares Maduro mostrou-se ainda moderadamente confiante para a próxima época: "Gostaria de esperar uma época positiva, ainda quando tudo parece indicar que não vai ser. No ano passado, tinha esperança de ganhar o campeonato, apesar de o meu lado racional dizer que era praticamente impossível depois do que se tinha passado. Tenho consciência que partimos numa situação de desvantagem em relação a outros clubes, mas não deixo de estar otimista."