Dívidas a fornecedores pressionam vendas no Sporting: os principais credores

Dívidas a fornecedores pressionam vendas no Sporting: os principais credores
Bruno Fernandes/Rui Miguel Gomes

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SAD tinha a 30 de junho último dívidas a clubes e empresários, entre outros, de 55,9 M€, um aumento de 8 M€ face ao período homólogo anterior: exercício 2018/19.

Os resultados financeiros do exercício findo a 30 de junho de 2020, comunicados pelo Sporting, segunda-feira, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), apresentam como dado relevante o resultado positivo de 12,5 milhões de euros, porém tal não impede que a SAD liderada por Frederico Varandas esteja pressionada precisamente pelas contas para realizar receitas extraordinárias com a transferência de ativos.

Em causa está precisamente o facto de a sociedade que gere o futebol profissional apresentar dívidas a fornecedores correntes - ou seja, que têm de ser pagas em 12 meses - de 55,9 M€, um aumento de 8 M€ face ao período homólogo, em que foram registadas dívidas nesta rubrica de 47,9 M€. Ainda assim, se olharmos para o último relatório e contas trimestral, conhecido em final de maio último, os leões reduziram 6 M€ as dívidas a fornecedores correntes, então fixadas nos 61,9 M€.

Ora, entre os principais credores da Sporting SAD encontram-se, entre clubes, o Braga, precisamente devido à transferência de Rúben Amorim para Alvalade (ver página anterior), estando por liquidar 9,8 M€, seguindo-se o Slovan Bratislava, com 4,7 M€, decorrentes da transferência em janeiro último de Sporar. As dívidas a clubes ascendem a 26,5 M€. Já no que diz respeito a empresários/intermediários ou empresas de agenciamento, a Gestifute de Jorge Mendes é quem tem mais a receber da SAD verde e branca, situando-se a dívida nos 3 M€, seguindo-se a D20 de Deco (representante de Raphinha), com 2,4 M€, e a Positionumber (que representa o antigo capitão Bruno Fernandes, além de Luís Maximiano, Gonçalo Inácio e Nuno Mendes), com 2,2 M€ . No total, as dívidas a agentes atingem os 21,5 M€, 7,8 M€ são dívidas a outros fornecedores.

Deloitte sem explicação para subscrição de VMOC
A SAD do Sporting e o perdão de dívida que teve é referido pela auditora Deloitte como um dos casos sem explicação no que à decisão do BES e do Novo Banco de subscrever a emissão de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (VMOC) efetuada pelo emblema de Alvalade. A auditora, sem referir o nome do Sporting, como deu conta o "Expresso", recorda que, em 2014, o Novo Banco subscreveu 24 milhões de euros (M€) em VMOC da Sporting SAD, no quadro de uma reestruturação de dívida do clube de Alvalade que também envolveu o banco BCP, outro dos maiores credores dos leões. A Deloitte defende que "estas reestruturações implicaram para o BES e Novo Banco a substituição de dívida por instrumentos convertíveis em capital, ficando numa posição desfavorável face a outros credores dos clientes que não tenham subscrito estes instrumentos". Diga-se que, em 2019, a Sporting SAD chegou a um novo acordo com o Novo Banco e o BCP para comprar a totalidade dos VMOC no respetivo prazo por um preço unitário de 30 cêntimos, num total de 40,5 M€, em vez dos 135 M€ que teria de desembolsar face às condições originais dos títulos, cujas emissões datam de 2011 e 2014.