"Vês o Cristiano e o Messi a defenderem? Não", atira Quaresma

"Vês o Cristiano e o Messi a defenderem? Não", atira Quaresma
Bruno Filipe Monteiro/Carlos Gouveia

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Experiente extremo dá os exemplos dos astros e lembra as referências de balneário que encontrou no Sporting e no FC Porto.

Visão dos treinadores: "Quando era mais novo fazia o que me ia na cabeça, porque achava que dentro de campo és tu o treinador e és tu que tomas as decisões. Muitas vezes diziam que não defendia, que taticamente era fraco, mas não era questão de não defender. Se me perguntares se gosto, não gosto. Vês o Cristiano a defender? Não. Vês o Messi a defender? Não. Eles precisam de força para decidir na frente e era isso que eu pensava. Mas tens de te adaptar ao futebol de hoje, que é mais tático do que mágico. Hoje sou um jogador diferente, mas nenhum treinador pode dizer que não gosto de trabalhar, porque dentro do campo continuo uma criança. A maior alegria que me podem dar é meter-me lá dentro".

Treinador que mais o entendeu: "O Jesualdo foi quem mais me entendeu. Massacrava muito durante a semana, mas nos jogos dava-me a maior liberdade do mundo. Ele sabia que ia falhar três ou quatro jogadas, mas que à quinta ou sexta ia resolver o jogo, com uma assistência ou um golo. Mas dava-me muito na cabeça e massacrava-me. Depois do treino sentava-se comigo e falávamos muito sentados em cima de uma bola. Foi o treinador com quem senti mais liberdade e que soube aproveitar mais as minhas qualidades. No FC Porto, as minhas melhores fases foram com ele, pela liberdade e confiança que me dava. Vi o Jesualdo transformar jogadores normais em craques. Vi jogadores entrarem no FC Porto que tinham dificuldades na receção de bola em certos movimentos e ele, após os treinos, trabalhava muito".

Arranque no Sporting: "No Sporting, na minha altura, falavam no Lourenço, no Hugo Viana, no Carlos Martins, diziam que eles é que iam ser o futuro e de mim era sempre aquele vai e vem, que com a cabeça não ia chegar lá e a verdade é que ainda continuo na ribalta".

Exemplo nos mais velhos: "Falam muito do meu feitio e personalidade, mas sempre gostei de ouvir os mais velhos. Quando cheguei ao Sporting tinha Pedro Barbosa, Rui Jorge, Dimas, Sá Pinto, tantos jogadores... O talento não se compra, mas tentava agarrar-me ao que me iam dizendo. Não podes mudar do dia para a noite. Atualmente muitos jovens viram as costas quando ouvem os mais experientes. E num balneário é muito fácil um jogador mais maldoso acabar com a tua carreira.".

Referências no FC Porto: "Duas que agradeço para o resto da vida. O Jorge Costa e o Vítor Baía. Vou contar um episódio do Jorge que para ele podia ser simples, mas para mim não. Co Adriaanse andava a dar cabo da minha cabeça, já não sabia o que fazia em campo, andava triste e em baixo e o Jorge veio ter comigo e disse: 'Hoje vais jantar a minha casa'. Apresentou-me a família e no fim do jantar perdeu algum tempo a dar-me o que precisava, confiança. A partir daí comecei a trabalhar e consegui dar a volta ao Co Adriaanse. Muitas vezes ia perder a cabeça e eles estavam lá ao meu lado. O Jorge depois saiu e o Vítor ficou, equipava-me ao lado e ele mandava-me calar muitas vezes. A humildade tem de estar sempre contigo, mas humildade a mais também é vaidade".

Desmaio de Vítor Baía na final da Taça Intercontinental: "Sinceramente, comecei a rir. No autocarro, depois, até tínhamos a brincar com ele a dizer que tinha ficado cagado para os penáltis. Mas jamais ele ia tremer por ir a penáltis. Nesse jogo, lembro-me do Derlei e do Carlos Alberto quase à cacetada. Stresses do dia a dia do futebol. Mas o FC Porto era diferente em tudo, porque nada disso saía cá para fora".