Transferência de Vera para o Benfica gera desconfiança no Paraguai

Transferência de Vera para o Benfica gera desconfiança no Paraguai

Acordo entre Benfica e o Rubio Ñu fez-se por 2,8 milhões de euros, mas detalhes do negócio levaram jornal a levantar questões

Poucos se lembrarão de Francisco Vera. Paraguaio de 22 anos, avançado, chegou ao Benfica em junho de 2015, mas não alinhou qualquer minuto ao serviço da equipa principal. Já pela equipa B dos encarnados realizou 17 partidas, tendo feito apenas um golo. Isto na época 2015/16 porque, ao que diz o jornal Hoy, do Paraguai, Vera regressou ao país natal, deixou o futebol e tem agora um negócio de venda de artigos desportivos.

O diário Hoy lança ainda várias questões sobre os números do negócio e a forma de pagamento. Segundo o jornal do Paraguai, e que usa o Football Leaks como fonte, o Benfica ficou de pagar o jogador em várias tranches: 125 mil euros a 15 de abril, quando terá sido celebrado o acordo; 803 mil euros a 30 de abril; 89 mil euros entre 1 e 15 de julho, quando o Benfica recebesse o passe de Vera; 446 mil euros a 30 de outubro de 2015 e mais três tranches iguais, de 446 mil euros, a 30 de abril, 30 de julho e 30 de dezembro de 2016. Ao todo 2,8 milhões de euros seriam pagos pelo Benfica ao Rubio Ñu, clube de onde veio Francisco Vera e onde trabalhar, como dirigente, Carlos Gamarra, antigo jogador do Benfica.

O problema é que dos 1,4 milhões de euros já recebidos pelo clube do Paraguai, nada foi declarado ao Fisco e o clube já deveria ter pago 10% desse valor. O Hoy levanta mesmo a possibilidade das autoridades judiciárias, quer portugueses, mas também as do Paraguai, já estarem a investigar a transferência do jogador com suspeitas de lavagem de dinheiro.