"No Benfica estava a ganhar o salário de um menino que subia a profissional"

"No Benfica estava a ganhar o salário de um menino que subia a profissional"

Carlos Gamarra recordou os tempos passados ao serviço do Benfica.

Carlos Gamarra foi um dos centrais de referência da América do Sul nos anos 90 e 2000 e em Portugal registou uma passagem pelo Benfica. O antigo central internacional pelo Paraguai concedeu uma entrevista ao Globoesporte, na qual fez uma viagem ao passado e, claro está, não esqueceu os tempos vividos na Luz.

"Estava muito bem e joguei todos os jogos. Só que quando me apercebi realmente das coisas, descobri que estava a ganhar o salário de um menino que subia de amador para profissional. E eu tinha contrato de quatro anos em que ficaria esses quatro anos com o mesmo salário. A ganhar menos do que os meninos no primeiro ano de profissional. Conheci aquele que seria o meu agente e disse-lhe: "Se tiveres alguma coisa, leva-me daqui de novo". E apareceu o Corinthians", contou Gamarra.

Depois de 17 jogos de águia ao peito, regressou ao Brasil, para o Corinthians, e depois voltou à Europa, ao serviço do Atlético de Madrid. "No Atlético foi diferente. Estávamos bem, com uma boa equipa e um bom treinador: Claudio Ranieri. Só que naquela época tinha contrato por dentro e por fora. O presidente do Atlético de Madrid, Jesus Gil y Gil, era maluco. Dizia que o filho era o rei daquela coisa, desafiava o presidente, desafiava todo a a gente...", recordou.

"Até que, um dia, com a gente a treinar, chegaram umas 50 viaturas e tomaram o clube. A gente só podia cobrar o dinheiro que era por dentro. E aí começou a crise no Atlético de Madrid. Era uma pessoa da Justiça que administrava o clube, começou a sair um, sair outro. Até que afundou", lamentou.