
Celebrações do feriado municipal junto à Câmara Municipal de Vila Nova de Paiva
D.R.
Marques e Beleza defenderam a regionalização. Custódio referiu que já foi um defensor da mesma, mas recuou por entender que iria acrescentar "mais um" patamar ao intrincado de entidades pelas quais passam decisões e projetos.
O atual autarca de Vila Nova de Paiva, Paulo Marques (PS), e dois ex-presidentes de câmara, Manuel Custódio (PSD), entre 2005 e 2009, e Avantino Beleza (CDS), entre 1982 e 1989 e entre 1993 e 1997, traçaram um retrato daquele concelho do distrito de Viseu. E concordaram que os 50 anos de poder local (primeiras autárquicas ocorreram a 12 de dezembro de 1976) mudaram tanto o território como a forma de fazer política.
Marques e Beleza defenderam a regionalização. Custódio referiu que já foi um defensor da mesma, mas recuou por entender que iria acrescentar "mais um" patamar ao intrincado de entidades pelas quais passam decisões e projetos.
"Hoje em dia, felizmente, há mais dinheiro para as autarquias. A descentralização de poderes foi muito importante. É cada vez mais importante e deveríamos caminhar no sentido da regionalização, definitivamente, para a partir daí sermos ainda mais autónomos", considerou Paulo Marques, que cumpre, atualmente, o seu segundo mandato. Declarou ainda que com "as CCDR, agora com mais poderes, e com as Comunidades Intermunicipais, conseguimos ter alguma autonomia que nos permite decidir por nós próprios aquilo que fazemos com o bolo que existe".
"Sabemos mais ou menos o dinheiro que nos está atribuído e decidimos onde e como devemos investir. É o poder que temos e é, obviamente, mais fácil hoje do que era na altura em que estes dois colegas foram presidentes de câmara", disse Paulo Marques, acrescentando que, por outro lado, "o escrutínio hoje é muito maior por causa das redes sociais".
Avantino Beleza assumiu defender também a regionalização e afirmou ter lutado, na sua época, por maior poder para as autarquias. "Tivemos uma luta muito importante. Não foi só o facto de sermos eleitos, isso foi importante, mas depois houve o problema das competências e das verbas. Tivemos de fundar uma associação, a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), e eu fiz parte do Conselho Diretivo na altura. A resistência do Governo foi sempre contra a ANMP, porque sabiam que nos estávamos a unir para termos uma Lei das Finanças Locais", afirmou.
No que toca à regionalização, o ex-autarca Manuel Custódio assumiu uma posição contrária. "Vou ser aqui um bocadinho advogado do diabo. Já fui um grande defensor da regionalização. Hoje não sou, devido à evolução que houve. Hoje temos Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. Antes de haver as cinco CCDR, no primeiro referendo, tinha toda a lógica haver regionalização, mas hoje, para além das CCDR, temos as CIM, e ainda vamos ter mais capelas a abrir?", comentou.

