
Ao centro, Pedro Lima, presidente da Câmara Municipal de Vila Flor eleito pelo PSD, e José Prudêncio (à direita), antigo militante do PCP e que foi deputado municipal durante 25 anos, a partir de 1976
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Debate em Vila Flor sobre os 50 anos do Poder Local destacou avanços da democracia e alertou para riscos de saudosismo. Reforço das competências dos municípios é urgente e necessário
A necessidade do reforço das competências dos municípios e da regionalização foi defendida, ontem, em Vila Flor, durante o primeiro dos debates designados "Um dia no município", no âmbito dos "50 anos do Poder Local", uma das muitas iniciativas da Notícias Ilimitadas (TSF, JN, "O Jogo", entre outras marcas). Participaram Pedro Lima, presidente da Câmara Municipal de Vila Flor eleito pelo PSD, e José Prudêncio, antigo militante do PCP que foi deputado municipal durante 25 anos, a partir de 1976. Ambos valorizaram o papel das autarquias eleitas em democracia, lembrando as amarras do passado. Segundo Prudêncio, "antes do 25 de Abril não se vivia, vegetava-se" e, em comparação, "vale mais o que se estraga hoje do que o que se comia antes dessa data".
Pedro Lima, com 53 anos, só teve conhecimento da realidade de antes da Revolução dos Cravos pelo pai, que era professor de História. "Não havia vias rodoviárias, água canalizada e saneamento básico. Havia poucas ligações elétricas e casas com muita gente e poucas condições, e pessoas que tinham o primeiro par de sapatos quando iam fazer o exame da quarta classe".
Estas lembranças, mesmo que por via indireta, fazem o autarca ter hoje mais consciência de que "valeu a pena tudo o que se fez nestes 50 anos de Poder Local", que este ano se comemoram, e que também "colocam mais responsabilidade sobre os políticos". Sobretudo num tempo em que "começa a haver saudosismo por parte de alguns", o que entra "num plano que devia ser pedagogicamente derrotado com factos". Especifica a "mortalidade infantil e o analfabetismo", entre outros factos que "ensombram o passado e que hoje não se verificam", num "país democrático em que é possível escolher e escrutinar os líderes", bem como ter um "poder autárquico próximo das populações".
"É pena que muitas pessoas que viveram naquele tempo [antes do 25 de Abril] se tenham esquecido do que se passava", atira, por sua vez, José Prudêncio. "Hoje pode-se questionar o Poder Local, mas antigamente, mesmo que o fizessem com razão, se calhar tinham a GNR à porta no dia seguinte a prendê-los". Até o facto de estar "numa amena conversa num café poderia trazer problemas se fossem alvos de escutas". Atualmente, José Prudêncio defende "mais competências para autarquias locais e mais recursos" para poderem "responder às necessidades da população". É que, frisa Pedro Lima, "o que foi transferido até hoje foram tarefas que o Governo não tem capacidade para desenvolver por não estar tão próximo da população e não ser tão eficiente".
Curiosidades estatísticas
Vila Flor tem 266 quilómetros quadrados, divididos por 14 freguesias, espaço que contém múltiplas curiosidades. Embora a população denote um recuo, o seu saldo migratório é um ponto positivo.
65 - Saldo migratório
A diferença entre o número de imigrantes e de emigrantes foi positivo em 2024. Em 2011 era negativo (-44).
13 - Alojamentos turísticos
Em 2024, Vila Flor tinha 13 alojamentos turísticos, um crescimento acentuado desde 2011, quando contava apenas um.

