
Madalena Contente
D.R.
O arranque vitorioso de 2026 reflete o crescimento de um grupo que quer alcançar algo mais. Madalena Contente, defesa de 26 anos que chegou esta época ao emblema de Vila do Conde, admite que o trabalho de todas vai dando cada vez mais frutos e aponta a vontade de chegar longe em todas as competições.
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O Rio Ave chegou à elite do futebol feminino com a aspiração de se afirmar. O emblema da caravela ocupa o oitavo lugar da Liga BPI e continua em prova nas duas competições a eliminar: está nos quartos de final da Taça de Portugal e começou 2026 com uma vitória por 1-0 frente ao Damaiense, para a Taça da Liga. Em entrevista a O JOGO, Madalena Contente, defesa de 26 anos, uma das jogadoras mais utilizadas pelo técnico João Marques, faz o balanço da estreia vila-condense no principal escalão português e projeta o que falta para dar o próximo passo.
Abriram 2026 com uma vitória frente ao Damaiense, para a Taça da Liga, que as deixou muito perto do apuramento para a próxima fase. Esta vitória teve um peso especial?
-Sem dúvida. Foi um triunfo importante, não só pelos três pontos, mas porque mostrou que o trabalho está a dar frutos. No ano passado não conseguimos os melhores resultados, mas também não fomos tão mal. Este ano queremos mais, e este tipo de jogos dá-nos confiança e motivação para continuar a crescer.
Foi um jogo resolvido perto do apito final (90'+5'). Numa partida tão fechada, o que fez a diferença?
-Entrámos muito concentradas, com intensidade, e controlámos grande parte do jogo. Acabámos por marcar perto do fim e, sim, foi um pouco de sorte, mas também foi merecido, lutámos até ao último minuto.
É a primeira época do Rio Ave na Liga BPI. O que mais a surpreendeu neste impacto inicial do clube com a elite?
-Tem sido uma experiência incrível, mas também desafiadora. Somos uma equipa nova, a construir o nosso espaço na Liga BPI, e cada jogo é uma aprendizagem. Fizemos bons resultados, mas também deixámos pontos que não devíamos pelo caminho. No geral, o balanço é positivo e acredito que, na segunda volta, vão ver outro Rio Ave.
O discurso do grupo passa muito pela permanência, mas acreditam que podem apontar mais alto?
-Queremos garantir a permanência o mais cedo possível. Nas Taças, queremos ir o mais longe que conseguirmos. Mas o segredo é simples: jogo a jogo, sem pensar demasiado à frente.
A nível defensivo, o Rio Ave tem sido uma das equipas mais sólidas. Onde é que sentem que ainda podem crescer?
-É verdade, somos difíceis de bater e sofremos poucos golos, o que mostra o trabalho coletivo. Precisamos de ser mais eficazes na finalização, só marcámos quatro golos até agora. Temos insistido nesses detalhes, e acredito que, com tempo e confiança, as coisas vão aparecer.
Segue-se o Benfica, campeão nacional e líder destacado. Estes jogos ajudam a medir o verdadeiro patamar da equipa?
-Vai ser um jogo muito difícil, mas gostamos de desafios, vamos trabalhar para dar o nosso melhor. É uma oportunidade de mostrar que podemos competir com qualquer equipa.
Tem sido uma das jogadoras mais utilizadas por João Marques. Está a atravessar um bom momento?
-Acredito que atravesso um bom momento, mas isso só é possível graças às minhas colegas e à equipa técnica. Acima de tudo, confiam em mim e no meu trabalho. Futebol é trabalho de todos, e sinto isso diariamente.
O que a fez confiar neste projeto?
-Na altura, a situação no Damaiense estava muito incerta e comecei a procurar outro clube. O Rio Ave apresentou-me um projeto sério, estruturado e ambicioso. Sendo a primeira vez que estou longe de casa, foi um desafio, mas tem sido uma experiência de crescimento enorme, dentro e fora do campo.
Como olha para esta edição da Liga BPI?
-É, sem dúvida, a mais competitiva desde que jogo cá. Todas as equipas estão muito fortes e bem preparadas, não há espaço para erros. Isso torna os jogos mais emocionantes e exige que estejamos sempre ao nosso melhor nível.
Por último, que sonhos continuam bem vivos?
-Representar a Seleção é o grande sonho. Quero também conquistar troféus com o Rio Ave e, acima de tudo, ser feliz a jogar futebol. Se conseguir juntar os dois, será perfeito.
Aposta no futebol, com cartola e bengala a pensar no futuro
Num futebol feminino cada vez mais exigente, Madalena Contente destaca-se também fora das quatro linhas. A defesa do Rio Ave construiu um percurso académico sólido, com uma licenciatura em Engenharia Civil e um mestrado em Ciências de Dados, antes de optar por dedicar-se em exclusivo ao futebol, mantendo o foco total no capítulo desportivo. "Neste momento, o meu foco está apenas no futebol e no Rio Ave. Quando entro no treino ou no jogo, só penso nisso", sublinha. A jogadora admite, ainda assim, que reflete sobre o futuro. "Estudei a pensar na vida pós-futebol e também porque, quando estamos a crescer, nem sempre levamos o futebol totalmente a sério. Só passei a encará-lo de outra forma quando percebi que podia realmente chegar mais longe", rematou a lateral vila-condense.
