FIFPro tenta afastar treinador condenado por filmar jogadoras a tomar banho

Petr Vlachovsky foi condenado na Chéquia a uma pena suspensa de um ano de prisão e a uma proibição de cinco anos de exercer funções de treinador, após ter sido considerado culpado de filmar secretamente 14 jogadoras em balneários e a tomarem banho ao longo de quatro anos
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A FIFPro, sindicato mundial de futebolistas, está a tentar afastar definitivamente Petr Vlachovsky do futebol, depois de o treinador, de 42 anos, ter sido condenado na Chéquia a uma pena suspensa de um ano de prisão e a uma proibição de cinco anos de exercer funções, após ter sido considerado culpado de filmar secretamente 14 jogadoras em balneários e a tomarem banho ao longo de quatro anos.
Vlachovsky, que treinou equipas jovens e a formação principal feminina do Slovácko durante quase 15 anos, além de ter sido selecionador feminino de sub-19 da Chéquia - chegou a ser eleito o melhor treinador feminino daquele país - foi detido em 2023, depois de terem sido descobertas as suas filmagens clandestinas num site de encontros eróticos. O técnico, que foi condenado em maio de 2025, também tinha na sua posse material de abuso sexual infantil.
No entanto, a sentença branda que recebeu causou transtorno nas suas vítimas, com a FIFPro a estar dedicada a conseguir um afastamento vitalício do treinador, que neste momento poderá voltar a treinar na Chéquia a partir do final de 2030, não havendo nada a impedi-lo de o fazer no estrangeiro até essa data.
"Como o processo criminal na Chéquia e os processos administrativos da Associação de Futebol da Chéquia (FACR) são separados e podem decorrer em paralelo, o sindicato está a desafiar a Federação a implementar uma sanção vitalícia no futebol para Vlachovsky e todos os agressores sexuais. A FIFPro está a explorar possíveis vias legais em nome das jogadoras para alcançar uma proibição global. As vítimas não tiveram oportunidade de assistir a um julgamento público e não puderam apresentar recurso contra o que as jogadoras consideram uma sentença extremamente branda", explica o organismo.
"Algumas das minhas colegas começaram a preocupar-se de que alguém as estivesse a observar, até mesmo através da janela. Algumas tiveram dificuldade em dormir, algumas raparigas chegaram a vomitar," contou Kristýna Janku, uma das vítimas envolvidas, à publicação "Seznam Zpravy", com a colega Alena Peckova a acrescentar: "Para onde quer que fosse, fosse num ginásio público ou noutro ambiente, uma luz de alerta acendia-se na minha cabeça e eu continuava a verificar se havia uma câmara em algum lugar. Também comecei a ter problemas com a forma como via o meu corpo. Sentia-me simplesmente enojada de alguma forma".
"É uma piada. Todas sentimos o mesmo em relação a isto. Mas o investigador avisou-me previamente que não devíamos esperar nada de especial devido às leis checas, porque pornografia infantil ou abuso sexual não são classificados como crimes graves", revelou ainda Janku.

