Bodo/Glimt-Sporting joga-se às 20h00 de quarta-feira
Francisco Trincão
Qual o objetivo para esta eliminatória? "Continuar a fazer história, sabemos que é um jogo difícil e que as condições são um bocado diferentes do que estamos habituados. Mas o treino de hoje vai servir um bocado para isso."
Acaba de renovar, pretende ficar no Sporting nos seus melhores anos? "Eu digo sempre que sou muito feliz aqui, sempre fui do Sporting, é o meu clube e este ano não foge... Será sempre assim."
Como está fisicamente após os jogos com FC Porto e Braga? "Estou bem fisicamente como todos os colegas, pagam-nos para estarmos bem e recuperarmos a forma, faz parte do nosso trabalho e o clube dá-nos todas as condições para isso."
A diferença de realidade de Bodo para Lisboa: "Viemos antes por causa disso, para nos habituarmos a estas condições. Talvez a bola pode rolar de forma diferente, saltar um bocado mais se estiver mais seca, se estiver molhada ou não pode rolar mais rápido. Vamos ter tempo para perceber isso hoje."
Eliminatória de dois jogos, para resolver já? Ser a dois jogos muda a abordagem? "Sabemos que com dois jogos é sempre diferente, mas claro que vamos entrar para ganhar, sabendo a dificuldade do jogo, com um adversário que já fez grandes jogos na competição. Nós temos de fazer a nossa parte e entrar para ganhar."
Eliminatória a 50% para cada lado? Ou assumem favoritismo? "Diria 50/50, mas diria isso com todos os adversários. Na Liga dos Campeões tudo pode acontecer, todas as equipas são boas e os detalhes fazem a diferença."
As condições do relvado, para jogador que privilegia o dribla, o que será mais difícil? "Vou fazer aquilo que tenho feito. Falei com o Bragança na brincadeira a dizer que podíamos jogar descalços para lembrar o que fazíamos na brincadeira na formação nos treinos."
Ainda o relvado sintético: "Depois da bola rolar acaba por ser o mesmo, é um jogo de futebol e este treino vai ajudar bastante para perceber como está o campo e amanhã estarmos da melhor forma possível."
Rui Borges
O Bodo/Glimit é a grande surpresa desta Champions. O que pesará mais nesta eliminatória? "Para mim o Bodo não é surpreendente, só para quem não os acompanha há muitos meses. Na época passada foram às meias-finais da Liga Europa, só perderam com o campeão e este ano já bateram equipas que, se calhar, são candidatas à vitória nesta competição. Diferenciar estas duas equipas... são duas com uma ambição enorme, muito competitivas e ambiciosas, determinadas em querer marcar história, nessa parte são muito idênticas. Na outra parte do jogo são duas equipas ambiciosas, cada uma com as suas armas, mas duas grandes equipas".
Características diferentes de um campo sintético. Falou com os jogadores sobre os cuidados a terem sobre isso? "Claramente que sim. Felizmente eles hoje em dia têm acesso a qualquer tipo de botas e têm de estar preparados para a exigência do jogo. Não servirá de desculpa, jamais será, mas [um relvado sintético] é um pouco diferente de jogar na relva. A bola salta mais se estiver seca, anda mais se estiver molhada, prende mais em rotações e é mais difícil para quem não está habituado, mas isso jamais servirá de desculpa, porque o Bodo/Glimt também tem sido uma grande equipa fora de casa. Mais do que isso, é olhar para a força coletiva de um Bodo bastante competitivo e intenso".
Nas últimas eliminatórias, o Sporting tem vacilado. Esta é uma oportunidade de fazer história? Questão física, Trincão joga? A malta está bem? "Espero que esteja bem, isto não pode servir de desculpa, mas em Braga sentiu-se algum quebrar física em termos gerais. Em algumas questões individuais isso nota-se, mas isso não é desculpa e, se lhes perguntarem, eles dizem todos que estão bem. Pelo desenrolar do jogo e pela equipa que vamos enfrentar, num sintético, que tem um impacto físico diferente de um relvado natural, existe essa particularidade do jogo. Vamos ter de estar atentos e perceber no treino quem está mais adaptado e quem está bem para percebermos qual será o melhor onze. Sobre a história, penso que o Sporting já a fez, agora é continuar a sonhar com os pés assentes na terra. O Bodo é um coletivo muito forte, que no seu contexto é uma equipa com muita posse de bola; no campeonato, não foi campeão, mas foi o melhor ataque e a melhor defesa; em 2024/25, em 24 jogos tem uma média de três golos marcados; uma fortaleza em casa e é a equipa da Champions com mais golos em contra-ataques e ataques rápidos. Isso mostra a sua força e temos de estar preparados".
Tem de falar com a almofada para escolher um onze? Considera que este jogo será mais decisivo do que a segunda mão? "Penso que os dois serão decisivos. O Bodo também já fez grandes jogos fora, já ganhou a um Atlético de Madrid na sua casa, que é um jogo parecido a este em termos de exigência. O jogo de amanhã não será decisivo, vão ser as duas mãos e quem for mais forte passará aos 'quartos'. Sobre a almofada, é perceber algumas coisas entre hoje e amanhã para vermos quem estará. O Nuno [Santos] e o Dani [Bragança] vieram há pouco tempo de lesões de joelho, é perceber o impacto do campo. Mas não são só eles, toda a outra malta vai ter de se adaptar ao relvado".
Quem será o lateral-esquerdo titular? Nuno Santos pode ser titular? "Se está aqui, pode jogar. Vamos ver. Se não jogar o Nuno, tenho de fazer alguma adaptação ou pode passar pelo [David] Moreira".
Qual é a chave do jogo de amanhã? "Muito honestamente é o que falei há pouco. A nossa capacidade de estarmos preparados para a exigência física dos 90 minutos contra uma equipa muito vertical e intensa na procura da baliza. Temos de estar preparados para contra-ataques e ataques rápidos. Também somos uma equipa que gosta de estar no ataque e temos de estar muito lúcidos e equilibrados para não deixar o Bodo entrar em transição ofensiva".
Nuno Santos está pronto caso seja chamado para jogar? O jogo com o Tondela foi adiado, porquê? "Porque temos esse direito, acima de tudo. Optámos por isso porque vimos de três jogos seguidos, vamos ter o jogo de amanhã, de uma exigência grande física e mental, e é importante, se temos esse direito, tirar proveito dele. Noutros momentos se calhar tínhamos esse direito, mas não podíamos adiar. são as regras. Claro que gostamos de ter semanas normais, a equipa respira e treina um pouco mais, porque nestes dias é só recuperar, treinar e muito pouco. O Nuno vem de uma paragem muito longa de uma lesão gravíssima e claro que na parte física não é o Nuno ainda, ainda vai levar tempo. A parte técnica está lá, a tática também, mas no que pudermos ajudar nesse crescimento, é perceber de que forma ele se sente e o que ele acha. Também temos a nossa perceção, mas claro que vai levar tempo, porque não foi uma lesão normal e não podemos fugir disso. Mas se há alguém que é guerreiro e poderá voltar a ser o mesmo jogador, é ele".