Bruno Sá e o trabalho de Varandas no Sporting: "Há muitos sinais de um fim de ciclo"

Bruno Sá
Pedro Gomes Almeida
ENTREVISTA, PARTE II - Sublinhando a diferença de poder dada a Rúben Amorim e a Rui Borges, o candidato aponta às "promessas de saída" no final da época. Visa o investimento no plantel, criticando a falta de um médio e as contratações para o lado direito da defesa. Considera que "não foi dado um "update" ao plantel", mas que houve apenas reposições.
O rosto da Lista A está grato ao trabalho de Rui Borges e diz que Varandas já devia ter renovado o seu contrato. Mas se vencer apenas decidirá tal processo no final da época.
Tem criticado a política desportiva do Sporting, mas o clube tem um bicampeonato, uma dobradinha e está nos oitavos da Champions...
-Ainda bem que estamos nos oitavos de final da Liga dos Campeões e a lutar pelo título, com alguma distância, mas já há muitos sinais de um fim de ciclo, que será no final deste campeonato, com a saída de Hjulmand, Morita e Quenda, e fala-se de Geny Catamo e Diomande. Com Rúben Amorim era chave na mão, a Rui Borges não se dá quase reforços. Substituímos bem Gyokeres e Harder com Luis Suárez e Ioannidis, mas com jogadores detetados por Rúben Amorim.
A estrutura desportiva dá pouca atenção a Rui Borges, ou é deficitária sem Rúben Amorim e Hugo Viana?
-A grande cabeça deste projeto de Frederico Varandas era Rúben Amorim. Parece que não há um rumo novamente e jogadores e treinadores são apresentados como se o Sporting fosse uma ponte para outros caminhos. São feitas renovações com promessas de saída, e isso tudo leva a crer que é o fim de um ciclo. Quando chegamos a um nível bicampeão tem de haver um investimento para manter, e não houve.
O Sporting fez um investimento recorde no plantel. Foi mal feito?
-Face às lesões, que é um dos grandes problemas destes últimos anos, continuamos com falta de soluções, não foi dado um "update" ao plantel, foram apenas substituídos jogadores que saíram. Trincão e Pote estavam presos por arames e não chegou um substituto. Algo que revela a falta de projeto desportivo é que fomos buscar em três anos o Fresneda e o Vagianidis, tendo o Salvador Blopa, o Eduardo Quaresma e o Diogo Travassos. E ficou a faltar um médio.
A SAD não dá a mesma força a Rui Borges como a Rúben Amorim?
-Causa muitas dúvidas para onde é que o Sporting caminha, quem é que manda no futebol, qual é a política desportiva do Sporting, porque já percebemos que o Rui Borges não é muito ouvido.
Como avalia o trabalho de Rui Borges? Tem contrato até 2027. Admite renovar?
-Rui Borges não tem autonomia e não lhe dão condições para ganhar. Não causou problemas, nunca desrespeitou o Sporting e mostrou um grande caráter. Teve uma série de lesionados e conseguiu encontrar soluções. Se eu fosse o presidente, pelo que ele já fez, e com a falta de meios, eu teria renovado. Entrando agora vou ter de sentar-me à mesa com ele, vamos ver os resultados. Não era o treinador que eu teria escolhido naquela altura, mas tem defendido muito bem os interesses do Sporting.

"Não quero casos Gyokeres"
Frisa que os atletas devem respeitar contratos e admite que deve "prevalecer o diálogo"
Bruno Sá já tem atletas "referenciados" em Portugal.
Qual é o seu projeto desportivo?
-Um projeto sempre baseado na formação, num scouting de excelência, independentemente do treinador, com um investimento muito grande em infraestruturas e na Unidade de Performance, uma bandeira de Frederico Varandas. Mais do que as lesões, há que apresentar a causa. Debast apareceu, voltou-se a lesionar-se, Ioannidis continua a não aparecer. É uma contradição muito grande de uma pessoa que é médica não conseguir resolver este problema.
Já pensou em jogadores? Para que posição?
-Já temos vários referenciados em Portugal. Ao Sporting falta um médio e estamos sem um terceiro avançado.
Se vencer, vai assumir as promessas de saídas?
-Os jogadores têm de estar cá com a cabeça, têm contrato e são pagos para isso. Agora, se foi prometida, não quero que exista novo caso Gyokeres. Tem de prevalecer sempre o diálogo e o bom senso. Se um jogador quer ir embora, não faz grande sentido tê-lo cá. Essas promessas têm sido o "modus operandi" desta Direção e têm causado problemas, com Gyokeres, Hjulmand...

