V. Guimarães

António Miguel Cardoso: "Centralização? O meu receio é que se entre no mais um ano, mais dois..."

António Miguel Cardoso Carlos Carneiro

Declarações de António Miguel Cardoso, presidente do Vitória

Os direitos audiovisuais dos dois escalões profissionais do futebol português vão passar a ser negociados de forma centralizada, a partir de 2028/29, na sequência do modelo promulgado em março de 2021, resultante do memorando de entendimento assinado em 19 de janeiro do mesmo ano por Federação Portuguesa de Futebol e LPFP. E esse foi tema abordado por António Miguel Cardoso, presidente do Vitória, em entrevista ao Zerozero.

"Na minha perspectiva, acho que o Governo devia manter [a data]. Devia exigir e não devia dar mais prazo nenhum. Não tenho medo. Acho que o meu receio é que se entre no mais um ano, mais dois anos, e acho que esta foi a data. Deram-se cinco ou seis anos, para se chegarem a um acordo, deram mais. Mas não chegaram, agora vai o Governo dizer como é que é... Espero que não seja de outra forma. Quanto à chave, acho que quem está a trabalhar sobre os direitos e sobre a distribuição está a trabalhar bem, é a minha opinião. Acho que é importante pensar no futebol como um todo, primeira e segunda divisão, os três grandes, o que vem atrás dos três grandes, é verdade. Acho que é possível chegar a um modelo democrático, eu acredito que sim, e acho que já lá chegamos. Agora é preciso que os clubes se envolvam todos. Há uma coisa que tenho a certeza, se o Governo for reto e meter os prazos como estão e não ter receio daquilo que são os adeptos e aquilo que são as eleições, seja o que for, acho que isto tem tudo para andar para a frente. Caso se comece aqui a dar mais espaço, será um caos", afirmou, abordando o caso particular do Vitória.

"Eu acho que depende primeiro do valor em que o futebol português é vendido, e como nós estamos a ver, o futebol português tem muita qualidade, mas precisa de ter mais espetáculo, mais produto, e acho que é preciso trabalhar sobre tudo isso. Eu acho que nós quando pensamos de uma forma estrutural e não conjetural, seja o valor 100, 200, 300, 400 ou 500, para que o valor seja o mais alto, o importante é que exista espetáculo. Se não for 100 é 200, se não for 200 é 300. Depois de chegar a um valor, a forma de distribuição tem de ser a mesma", acrescentou.

Redação O JOGO