FC Porto publicou o Relatório e Contas dos primeiros meses desta temporada
A FC Porto SAD registou um resultado líquido positivo de 1,9 milhões de euros (ME) no primeiro semestre de 2025/26, que representa um crescimento de 1,3 ME face ao período homólogo de 2024/25, divulgaram esta quarta-feira os dragões.
"Estes resultados são de destacar, uma vez que ambos foram obtidos em exercícios económicos em que o FC Porto participou na Liga Europa, não dispondo da receita muito mais significativa da Liga dos Campeões", sustentou a SAD no relatório e contas enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Porém, o resultado líquido atribuível aos detentores de capital da FC Porto SAD foi negativo em 0,9 ME, em contraste com os 0,334ME positivos registados no primeiro semestre de 2024/25, numa época em que os dragões ficaram novamente arredados dos montantes relativos à participação na Liga dos Campeões.
Conforme esclareceu à Lusa o diretor financeiro dos azuis e brancos, José Pedro Pereira da Costa, o diferencial deve-se à entrada da Ithaka Infra III no capital da Porto StadCo, empresa de exploração comercial do Estádio do Dragão, em outubro de 2024, passando 30% dos resultados a não serem imputáveis à SAD desde então.
A sociedade gestora do futebol profissional dos dragões destacou a redução significativa, no primeiro semestre da temporada, da dívida financeira líquida em 46,6 ME, com um abatimento do passivo em cerca de dois ME, face a janeiro de 2025, para os 517,2 ME registados em dezembro.
Para isso, a reestruturação da dívida, conseguida através do empréstimo obrigacionista de 115 ME pela subsidiária Dragon Notes, permitiu aos 'azuis e brancos' amortizarem integralmente os restantes 26 ME da operação de titularização de créditos "Dragon Finance No.2", que vencia juros de 11%.
Os portistas somaram 39,3 ME de EBITDA, valor correspondente aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, face aos 35,1 ME do período homólogo, em reflexo dos "meios operacionais libertados pela sociedade", enquanto o ativo ascendeu aos 510,99 ME, aumentando em cerca de 2,24 ME comparativamente ao final da última temporada.
O aumento das receitas relativas à venda de passes de jogadores em 15,3 ME relativamente aos 26,4 ME registados no mesmo período da última temporada, foi um dos fatores mais decisivos para o equilíbrio das contas portistas, atingindo o valor de 41,6 ME.
Por sua vez, as receitas operacionais excluindo passes de jogadores cresceram 3,8 ME, com melhorias ao nível de bilhética e patrocínios, no âmbito de uma "reorganização interna" do Grupo FC Porto, apesar da redução de 2,2 ME em receitas de direitos televisivos, devido ao facto de a equipa principal de futebol ter realizado mais um jogo em casa no período homólogo.
As melhorias, explicou o presidente André Villas-Boas, foram fundamentais para que o FC Porto avançasse para o maior investimento de sempre, superior a 111 milhões de euros, no reforço do plantel no mercado de verão.
"Do ponto de vista económico-financeiro, os resultados refletem uma trajetória de consolidação e recuperação sustentável tendente a ter uma exploração económica equilibrada. O aumento das receitas operacionais - com destaque para as receitas comerciais integrando patrocínios e bilhética, onde o aumento contínuo do número de sócios e o aumento e venda integral de Lugares anuais alimentam fundadas expectativas", acrescentou o líder 'azul e branco'.
Em contrapartida, os custos operacionais excluindo passes incrementaram de 74,2 ME no período homólogo para 87,9 ME, o que se deve sobretudo ao aumento acentuado, em quase 34%, dos custos com pessoal, de 38,2 ME para 51,2 ME.
"Os custos com o pessoal, que têm grande representatividade na estrutura de custos (58% no período em análise), como é típico nesta atividade, englobam os gastos salariais relativos aos plantéis de futebol, equipas técnicas e toda estrutura de pessoal das diversas empresas representadas neste consolidado, assim como os respetivos encargos fiscais e seguros associados aos acidentes de trabalho", justificaram os 'dragões'.
O capital próprio portista continua negativo, atingindo o valor negativo de 6,2 ME, o que, ainda assim, representa um desagravamento de 4,2 ME face a 30 de junho de 2025.
"O primeiro semestre do exercício 2025/26, que corresponde à primeira metade da época desportiva em curso, confirmou a capacidade do FC Porto para responder com determinação, equilíbrio e competência às exigências crescentes do contexto em que atua, quer no campo desportivo, quer na componente financeira", concluiu André Villas-Boas.
Leia o comunicado do FC Porto:
"A Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD apresentou, no primeiro semestre do exercício 2025/2026, um resultado líquido consolidado positivo, de 1,9M€, verificando-se um acréscimo de 1,3M€ face ao período homólogo, o qual teve um resultado líquido de 0,6M€. O resultado líquido atribuível aos detentores de capital da empresa mãe foi negativo em 0,9M€, uma deterioração face ao valor positivo de 0,3M€ no primeiro semestre de 2024/2025, dado o crescimento dos Interesses minoritários. Estes resultados são de destacar, uma vez que ambos foram obtidos em exercícios económicos em que o FC Porto participou na Liga Europa, não dispondo da receita muito mais significativa da Liga dos Campeões.
* Receitas operacionais excluindo passes de jogadores atingiram os 80,9M€, crescendo 3,8M€ face aos 77,1M€ do período homólogo, apesar de ter registado uma redução de 2,2M€ nas receitas de direitos televisivos por se ter registado menos um jogo da Liga Portuguesa face ao período homólogo.
* Resultados relacionados com passes de jogadores atingiram os 41,6M€, crescendo 15,3M€ face aos 26,4M€ do período homólogo.
* EBITDA (Cash Flow operacional) atingiu os 39,3M€, no período em análise, face aos 35,1M€ do período homólogo, refletindo os meios libertos pela atividade operacional da Sociedade.
* Custos financeiros líquidos reduziram-se 2,2M€ para os 10,5M€ no semestre, como resultado da redução da dívida financeira e da redução do custo médio da dívida por refinanciamento da dívida financeira mais onerosa.
* Capital próprio consolidado da Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD recuperou 4,2M€ face a 30 de junho, atingindo, em 31 de dezembro de 2025, o valor negativo de 6,2M€, face ao valor negativo de 10,5M€ em 30 de junho de 2025.
* Dívida financeira líquida reduz 46,4M€, com o Passivo da Sociedade a reduzir 2,0M€, face a 30 de junho."