Villas-Boas diz que "resultados refletem uma trajetória de consolidação e recuperação sustentável"

André Villas-Boas
Mário Vasa
André Villas-Boas, presidente do FC Porto, publicou uma mensagem a acompanhar a apresentação do Relatório e Contas da SAD portista referente ao primeiro semestre do exercício 2025/2026
Leia a mensagem de André Villas-Boas:
"O primeiro semestre do exercício 2025/26, que corresponde à primeira metade da época desportiva em curso, confirmou a capacidade do FC Porto para responder com determinação, equilíbrio e competência às exigências crescentes do contexto em que atua, quer no campo desportivo quer na componente financeira. O Clube consolidou a sua reputação, reforçando a sua ambição competitiva e demonstrando aos mercados os resultados de uma gestão renovada, assente em princípios de rigor e responsabilidade. No plano desportivo, o FC Porto encerrou o ano com resultados muito promissores e uma trajetória positiva em todas as frentes. Após um forte investimento na janela de verão, foram evidentes os resultados muito positivos, de um grupo de trabalho renovado, liderado pelo treinador Francesco Farioli, criteriosamente contratado, que iniciou a época 2025/26 apresentando consistência, qualidade de jogo e forte identidade competitiva, capaz de dar resposta ao projeto desportivo traçado. A prestação nas competições internas e europeias, marcada pelo apuramento direto para os oitavos de final da Liga Europa, reforçou o prestígio do FC Porto, recuperando a sua imagem de combatividade e a sua capacidade para competir ao mais alto nível.
A política de valorização de ativos continuou a ser conduzida de forma criteriosa, assente em duas vertentes complementares: a aposta bem-sucedida em atletas jovens com elevado potencial de valorização e a contratação de atletas experientes, capazes de garantir um retorno desportivo imediato. Esta estratégia privilegiou operações que combinam sustentabilidade com uma perspetiva de retorno a prazo, permitindo que, à data de publicação destes resultados, o FC Porto tenha o plantel mais valioso de sempre, avaliado em mais de 400 milhões de euros.
A formação mereceu atenção redobrada, com um aumento progressivo da integração de jovens atletas nas equipas principais, o que confirma que o futuro competitivo do FC Porto assenta em bases sólidas, que conjugam qualidade, método e identidade. O avanço do projeto do novo Centro de Alto Rendimento do FC Porto, infraestrutura que representará um salto qualitativo nas condições de treino e desempenho das nossas equipas, constitui um investimento estratégico que reforça a capacidade de desenvolvimento do talento, a inovação tecnológica e a integração entre o futebol profissional e a formação. O Estádio do Dragão também foi alvo de transformações a vários níveis, com destaque para os Camarotes, áreas Corporate e um novo e moderno sistema de iluminação do Estádio, dando cumprimento a um plano de remodelação que se prolongará durante o próximo defeso e que elevará o perfil do Dragão para a primeira linha dos estádios que acolherão o Mundial 2030, de que seremos um dos anfitriões. A nova plataforma de bilhética representa um passo mais na direção da desmaterialização dos processos, resultando na criação de um novo Cartão de Acessos, um cartão digital individual, gratuito, único e permanente ao longo da época. Esta é uma matéria de capital importância para continuarmos a inovar e melhorar o serviço prestado aos nossos Associados e adeptos.
Do ponto de vista económico-financeiro, os resultados refletem uma trajetória de consolidação e recuperação sustentável tendente a ter uma exploração económica equilibrada. O aumento das receitas operacionais - com destaque para as receitas comerciais integrando patrocínios e bilhética, onde o aumento contínuo do número de Sócios e o aumento e venda integral de Lugares anuais alimentam fundadas expectativas -, os resultados superiores com transações com passes de jogadores e a redução dos encargos financeiros, fruto das operações de refinanciamento da dívida, com destaque para a amortização quase total da operação de antecipação dos direitos televisivos, permitiram compensar o aumento de custos resultante do investimento na equipa principal de futebol, alcançando um resultado líquido equilibrado. O conjunto destes resultados traduz o esforço coletivo de todos quantos servem o FC Porto: atletas, treinadores, colaboradores, dirigentes, parceiros e os nossos sócios e adeptos. A sua lealdade e a sua exigência continuam a ser um estímulo determinante para o trabalho que desenvolvemos todos os dias. Assim, o FC Porto avançou para 2026 com confiança no futuro."
FC Porto SAD com lucro de 1,9 milhões de euros no primeiro semestre de 2025/26
A FC Porto SAD registou um resultado líquido positivo de 1,9 milhões de euros (ME) no primeiro semestre de 2025/26, que representa um crescimento de 1,3 ME face ao período homólogo de 2024/25, divulgaram esta quarta-feira os dragões.
"Estes resultados são de destacar, uma vez que ambos foram obtidos em exercícios económicos em que o FC Porto participou na Liga Europa, não dispondo da receita muito mais significativa da Liga dos Campeões", sustentou a SAD no relatório e contas enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Porém, o resultado líquido atribuível aos detentores de capital da FC Porto SAD foi negativo em 0,9 ME, em contraste com os 0,334ME positivos registados no primeiro semestre de 2024/25, numa época em que os dragões ficaram novamente arredados dos montantes relativos à participação na Liga dos Campeões.
Conforme esclareceu à Lusa o diretor financeiro dos azuis e brancos, José Pedro Pereira da Costa, o diferencial deve-se à entrada da Ithaka Infra III no capital da Porto StadCo, empresa de exploração comercial do Estádio do Dragão, em outubro de 2024, passando 30% dos resultados a não serem imputáveis à SAD desde então.
A sociedade gestora do futebol profissional dos dragões destacou a redução significativa, no primeiro semestre da temporada, da dívida financeira líquida em 46,6 ME, com um abatimento do passivo em cerca de dois ME, face a janeiro de 2025, para os 517,2 ME registados em dezembro.
Para isso, a reestruturação da dívida, conseguida através do empréstimo obrigacionista de 115 ME pela subsidiária Dragon Notes, permitiu aos 'azuis e brancos' amortizarem integralmente os restantes 26 ME da operação de titularização de créditos "Dragon Finance No.2", que vencia juros de 11%.
Os portistas somaram 39,3 ME de EBITDA, valor correspondente aos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, face aos 35,1 ME do período homólogo, em reflexo dos "meios operacionais libertados pela sociedade", enquanto o ativo ascendeu aos 510,99 ME, aumentando em cerca de 2,24 ME comparativamente ao final da última temporada.
O aumento das receitas relativas à venda de passes de jogadores em 15,3 ME relativamente aos 26,4 ME registados no mesmo período da última temporada, foi um dos fatores mais decisivos para o equilíbrio das contas portistas, atingindo o valor de 41,6 ME.
Por sua vez, as receitas operacionais excluindo passes de jogadores cresceram 3,8 ME, com melhorias ao nível de bilhética e patrocínios, no âmbito de uma "reorganização interna" do Grupo FC Porto, apesar da redução de 2,2 ME em receitas de direitos televisivos, devido ao facto de a equipa principal de futebol ter realizado mais um jogo em casa no período homólogo.
As melhorias, explicou o presidente André Villas-Boas, foram fundamentais para que o FC Porto avançasse para o maior investimento de sempre, superior a 111 milhões de euros, no reforço do plantel no mercado de verão.
"Do ponto de vista económico-financeiro, os resultados refletem uma trajetória de consolidação e recuperação sustentável tendente a ter uma exploração económica equilibrada. O aumento das receitas operacionais - com destaque para as receitas comerciais integrando patrocínios e bilhética, onde o aumento contínuo do número de sócios e o aumento e venda integral de Lugares anuais alimentam fundadas expectativas", acrescentou o líder 'azul e branco'.
Em contrapartida, os custos operacionais excluindo passes incrementaram de 74,2 ME no período homólogo para 87,9 ME, o que se deve sobretudo ao aumento acentuado, em quase 34%, dos custos com pessoal, de 38,2 ME para 51,2 ME.
"Os custos com o pessoal, que têm grande representatividade na estrutura de custos (58% no período em análise), como é típico nesta atividade, englobam os gastos salariais relativos aos plantéis de futebol, equipas técnicas e toda estrutura de pessoal das diversas empresas representadas neste consolidado, assim como os respetivos encargos fiscais e seguros associados aos acidentes de trabalho", justificaram os 'dragões'.
O capital próprio portista continua negativo, atingindo o valor negativo de 6,2 ME, o que, ainda assim, representa um desagravamento de 4,2 ME face a 30 de junho de 2025.
"O primeiro semestre do exercício 2025/26, que corresponde à primeira metade da época desportiva em curso, confirmou a capacidade do FC Porto para responder com determinação, equilíbrio e competência às exigências crescentes do contexto em que atua, quer no campo desportivo, quer na componente financeira", concluiu André Villas-Boas.

