Pep Guardiola aproveitou a conferência de antevisão do jogo do Manchester City frente ao Newcastle para criticar o Governo norte-americano e as guerras na Ucrânia e na Palestina
Na antevisão ao jogo desta quarta-feira frente ao Newcastle, para as meias-finais da Carabao Cup [Taça da Liga inglesa], Pep Guardiola deixou de lado o futebol para adotar um discurso político e humanitário. O treinador do Manchester City aproveitou o tempo de antena para condenar a invasão da Rússia à Ucrânia, "o genocídio na Palestina" e a intervenção dos agentes do ICE nos Estados Unidos, que resultou na morte de Renee Good e Alex Pretti.
"Vejo as notícias e dói, por isso vou sempre manifestar-me para que possamos ser uma sociedade melhor. Não vou mudar nada, mas tentarei sempre. Pelos meus filhos, pela minha família, por todos vocês, pelas vossas famílias também. Vejam o que aconteceu nos Estados Unidos: Renee Good e Alex Pretti (enfermeiro) foram assassinados... Imaginem o SNS (Serviço Nacional de Saúde), com cinco ou seis pessoas ao redor deles, no campo, e dez tiros disparados. Como é que alguém se pode defender? Existe alguém que veja as guerras no mundo e não seja afetado? Não se trata de estar certo ou errado - talvez um político seja de esquerda, de direita... Hoje podemos ver. Antes, não podíamos ver. Isso dói", afirmou, citado pelo jornal Marca, enfatizando a necessidade urgente de defender quem está a ser atacado.
"Tenho muitos amigos em muitos países. Mas quando temos uma ideia e queremos defendê-la, e isso significa matar milhares de pessoas, desculpem, mas eu vou opor-me. Com todos os avanços que temos: podemos ir à Lua, podemos fazer tudo, mas ainda nos matamos uns aos outros. Porquê? Para quê? As pessoas fogem dos seus países, vão para o mar e depois embarcam num barco para serem resgatadas. Não pergunte se estão certas ou erradas, salvem-nas apenas. São seres humanos.", acrescentou.