Taça de Portugal

"Só pedi a Vitó Capucho que não viesse bater no presidente e no treinador..."

José Rachão @gcz_senioren40

Experiente técnico José Rachão puxa a fita de alguns episódios e protagonista que encontrou nos dois emblemas

Não faltam também graciosas histórias a José Rachão que coincidem com Minho e Oeste, sendo ele arquivo vivo de outro tempo. "Havia um ponta-de-lança no Fafe, que chegara como jogador livre do Farense, um brasileiro chamado Vitó Capucho, que tinha uma reputação problemática no Algarve, e eu só lhe pedi que não viesse bater no presidente e no treinador. Se vem para fazer golos, tudo certo, caso se porte mal, terá guia de marcha; lidei assim. Mas, como ele nunca se portara bem, também não se mudou no Fafe. Avisei o presidente que era ele quem tinha de resolver o problema", conta. Mesmo assim, ficou positivamente marcado pelo atleta. "Não me posso queixar, ele foi impecável, compreendeu e disse que íamos subir. Ligou-me depois a dar os parabéns. Um dia parou, perto do estádio, um carro de instrução, ele saiu disparado desse caro, veio na minha direção e disse-me que eu tinha tido razão em mandá-lo embora, porque estava atrasado para uma aula de condução", recorda Rachão.

Virando atenção para o Torreense, um nome salta à baila e fica na conversa. "Tenho de falar do Toínha. Foi meu treinador de guarda-redes, mas ele é o Torreense. Foi o único ponta-de-lança em Portugal que levava porrada dos centrais e ia ver se eles não estavam aleijados. Nem Eusébio, Manuel Fernandes ou Yazalde... Trabalhou comigo, mas era um homem que fazia tudo: jogou, treinou, fez trabalho de secretaria. Só não tinha relógio. Eu reunia os jogadores no centro do terreno, via quem faltava e faltava sempre a mesma pessoa. Era o Toínha, tinha de ir buscá-lo à secretaria, porque dizia que tinha sempre coisas para fazer".

Pedro Cadima