"Fafe ou Torreense? Seja qual for a chegar ao Jamor, estarei presente"

José Rachão, que treinou Fafe e Torreense, fica a torcer por ambos
D.R.
Fafe afastou Braga e recebe na quarta-feira a equipa de Torres Vedras, na primeira mão. José Rachão é elo comum. Técnico torce por uma grande meia-final entre minhotos e Torreense. Foi ele quem subiu o Fafe à I Liga e fez brilhante trabalho em Torres Vedras, antes de sair para ganhar Taça no V. Setúbal.
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José Rachão é um nome singular do futebol português, um central de barba rija, marcante como jogador no Montijo ou Académico de Viseu, e com carreira de treinador que o levou a uma conquista da Taça de Portugal no V. Setúbal. Homem de Peniche, confronta-se, aos 73 anos, com as proezas de Fafe e Torreense na Taça de Portugal, que contrariaram o estatuto de favoritos de muitos opositores nesta caminhada com vistas para o Jamor, destino que vai contemplar um deles, após meia-final a duas mãos. Os minhotos, na Liga 3, e os homens do Oeste, que ocupam lugares da frente na II Liga, vão digladiar-se pelo desfecho épico de estarem cara a cara com algum dos grandes no Jamor. Rachão, nostálgico da prova, divide-se por duas casas em que deixou marca: subiu o Fafe à 1ª divisão, no final da década de 80, iniciando essa temporada, a única dos justiceiros no patamar máximo; em Torres Vedras também alimentou o sonho de uma subida, entre 2003 e 2004.
"Pelo Fafe, conseguimos uma subida e uma chegada aos oitavos da Taça, eliminando o Braga. Marcou o Horácio dois golos. É um ponto de convergência. Outro está no Torreense, lutei pela subida dois anos com uma excelente equipa, e a meio da segunda época saí para treinar o Vitória. Acabei por ganhar a Taça de Portugal", recorda Rachão, maravilhado com esta obra do calendário e tamanho mérito desportivo. "Pontualmente acontecem estas surpresas. Fiquei muito satisfeito e, seja qual for a chegar ao Jamor, estarei presente", assegura, congratulando o espírito de uma prova que nunca deixa de propor a fantasia dos pequenos perante a ditadura dos grandes.
"Que nunca deixem morrer isso! É a festa do futebol, e é por aqui que devem ser dadas chances aos mais fracos de terem estas alegrias. Pode não ser ideal para o negócio, mas torna-se fantástico para o adepto. Este é o cheirinho que muitos portugueses querem, algo motivador para todos os que não estão habituados aos grandes palcos", sustenta Rachão.
O treinador, dono de carreira vasta, lembra os contrastes geográficos. "Treinei 15 anos mais a norte, outros 15 mais a sul. No norte, lembro-me dessa força popular, é algo que não se altera. Joguei uma 2.ª divisão muito disputada entre o Leixões do Alves, o Famalicão do Rodolfo, e eu treinava o Fafe. Uma luta tremenda que acabou no famigerado caso de Macedo de Cavaleiros, subindo o Fafe em vez do Famalicão. Havia amor pelo futebol, estádio cheio, iam connosco para todo o lado. Hoje parece que ainda há algo parecido", avalia. "Conseguimos a única subida à I Liga e já passaram 40 anos. No Torreense, foram coisas diferentes, mesmo sendo um clube com história. Não tendo a paixão de Fafe, o Torreense tem muitos adeptos. Não tenho dúvidas de que vão ser duas cidades prontas para o Jamor", antecipa, reconhecendo que não faltará ambição. "O que foi feito já é de tirar o chapéu. Mas acredito que não vai ser fácil para FC Porto ou Sporting. São boas equipas e tudo vão fazer para subir a escadaria e levantar a Taça", explana Rachão.
"Lembro de cor e salteado o onze do Fafe que subiu. Um guarda-redes experiente, Quim, dois extraordinários centrais, Cláudio e Figueiredo, os laterais Camilo e Grosso. Dois médios-defensivos, Sérgio Abreu e Gomes, mais a criatividade do Sotil. O Guedes e Flávio como extremos rápidos e o Horácio como goleador. No Torreense era um jogo mais apoiado e jogadores rápidos como Igor Souza e Pateiro, além do Bernardo Vasconcelos. Eram plantéis que podiam sonhar com a primeira", nota.

