Internacional

Zidane no banco do Real Madrid: "Quando aceitaram trabalhar..."

Zidane recordou passagem pelo banco do Real Madrid AFP

Treinador francês ganhou, por exemplo, três Champions, depois de um início que não foi fácil

Zinedine Zidane chegou ao comando técnico da principal equipa do Real Madrid em 2016, rendendo Rafa Benítez, e conseguiu dar a volta a um momento conturbado, tal como Arbeloa tenta agora, depois da saída de Xabi Alonso. Em declarações ao canal Hamidou Msaidie, o antigo internacional francês recordou o trabalho desenvolvido no banco dos "merengues".

"Recordo-me de que estávamos a preparar um jogo contra o Ebro e surgiu-nos a oportunidade de treinar a equipa principal. Quando comecei no Real Madrid Castilla [equipa B], tinha o sonho da equipa principal, mas depois de perder três jogos logo no início, achei que tudo acabaria ali. No princípio, chegávamos às 09h00 e saíamos às 23h00. Sabia onde me estava a meter. Tínhamos a melhor equipa do mundo. Olhava para os jogadores e sabia que, se trabalhássemos bem, poderíamos alcançar coisas importantes, e foi o que aconteceu. Não queríamos que os treinos fossem todos iguais", recordou.

"Chegámos num ponto crítico. A equipa não estava bem fisicamente e apenas tivemos de lhes incutir a ideia de que precisavam de trabalhar em equipa. Pudemos trabalhar durante a semana, porque só tínhamos a liga. Reuni-me com os quatro capitães e disse-lhes o que queria deles para ver se estavam comprometidos. Quando aceitaram trabalhar, tudo acabou e chegou a alegria. Redescobrimos a motivação deles. Trabalho e alegria. Pusemo-los a correr. O trabalho físico foi fundamental. Disse-lhes que, se jogássemos contra o Atlético ou Barcelona, perderíamos a 100%. Se trabalharmos juntos, então é que poderemos ganhar-lhes, e foi o que aconteceu. Em janeiro não lhes teríamos ganho e, no final da época, vencemos os dois. Ao Barcelona na liga e ao Atlético na Champions", vincou.

A importância da relação com o plantel foi ponto crucial. "Estávamos à disposição dos jogadores. Para mim, é isso que torna a equipa forte: estás lá para o jogador. Se não entendes isto, não podes durar nesta profissão. Estamos lá para os apoiar, tens de demonstrar que estás lá para eles. Para que o balneário aceite o que queres implementar, temos de lhes cair bem. Se os jogadores não estiverem de acordo com tudo o que lhes é dado, os treinos, tudo isso, faltará sempre algo. Connosco, creio que desfrutaram muito a todos os níveis. Incutimos muita confiança aos jogadores. Tinham passado por uma má fase e precisavam de recuperar a confiança, a forma física, tudo. Criámos uma estrutura para que pudessem recuperar tudo. Quando um jogador é competitivo e está contente por treinar e ir a jogo, com certeza ganha as três Champions. Divertimo-nos imenso. Tentava fazê-los ver que todos eram importantes. Se não treinassem bem, não podiam jogar. Se na segunda-feira já sabes quem vai jogar no sábado, mau sinal. Os jogadores que não jogam não vão treinar bem", completou.

Redação O JOGO