Os axadrezados tinham conseguido cumprir a primeira prestação, em dezembro, com um depósito de 55 mil euros para cobrir despesas correntes, mas estavam obrigados a repetir esse processo até ao dia 10 dos meses seguintes,
O Boavista falhou a prestação de janeiro, de quase 150 mil euros, que estava judicialmente obrigado a cumprir para evitar o fim da atividade. A administradora de insolvência do clube, Maria Clarisse Barros, já comunicou esse incumprimento ao Tribunal da Comarca do Porto - Juízo de Comércio de Gaia e a consequente decisão de avançar para o encerramento do "estabelecimento/atividade", conforme se lê na carta que enviou ao juiz titular do processo.
Os axadrezados tinham conseguido cumprir a primeira prestação, em dezembro, com um depósito de 55 mil euros para cobrir despesas correntes, mas estavam obrigados a repetir esse processo até ao dia 10 dos meses seguintes, juntando a partir de janeiro -e até março - à parcela das despesas correntes uma outra, de 96 mil euros, destinada regularizar dívidas da massa insolvente, conforme ficara estipulado na Assembleia de Credores realizada a 16 de dezembro do ano passado.
"Foi cumprido com a colaboração de muitos boavisteiros, aos quais tenho de agradece", dissera Rui Garrido Pereira, presidente dos boavisteiros, em dezembro, por altura da primeira tranche regularizada, reconhecendo que o risco permanecia alto. "Estamos a travar uma batalha para ter um Boavista vivo. Sabemos que temos obrigações e esse é o nosso dever a cada momento. O Boavista está sempre no limite", acrescentou ainda nas declarações que fez à agência Lusa, no rescaldo, também, de uma angariação de fundos que o clube promovera nessa altura. Nem um mês depois, o cenário mais dramático está de volta. Comunicado o incumprimento ao tribunal, assim como a decisão da administradora de avançar com o encerramento, os trâmites previstos determinam que o encerramento de instalações se torne efetivo num prazo de 15 dias.
A prestação de dezembro, segundo contou a O JOGO Pedro Cortez, vice-presidente dos Panteras Negras, só tinha sido regularizada com um contributo decisivo de 38 mil euros avançado por um investidor privado e sete mil euros angariados pelo Panteras Negras Football Club, porque o clube conseguira juntar apenas dez mil euros dos 55 mil que estava obrigado a liquidar na altura. Essa solução não esteve em cima da mesa em janeiro porque as partes que contribuíram entendem não estarem reunidas condições para haver futuro com os atuais corpos gerentes.
O Panteras Negras Football Club defende que Rui Garrido Pereira deve apresentar demissão imediata e, caso não o faça, o segundo caminho será avançar para uma Assembleia Geral destitutiva, um procedimento que, seguindo as vias normais, obrigaria a recolher um quinto de assinaturas do total de sócios. E esse é um número difícil de apurar com rigor face à saída de funcionários administrativos, segundo explicou a O JOGO Pedro Cortez.
O fim de linha do Boavista nos moldes atuais reativa o plano B que esteve na base da criação do Panteras Negras Football Club, que compete atualmente no último escalão da AF Porto. Este projeto, aliás, nasceu da consciência de que o processo de insolvência ditaria o fim do Boavista e a ideia é que o clube possa renascer das cinzas a partir desta base criada com o Panteras Negras FC.
O JOGO tentou, sem êxito, uma reação de Rui Garrido Pereira.