Ciclismo

UC Maia quer voltar a ser grande: "Ia fazer uma pausa no ciclismo quando surgiu o convite..."

. Miguel Pereira/Global Imagens

Jorge Henriques mudou da W52-FC Porto para um projeto de jovens com muita ambição.

Jorge Henriques regressou à ribalta como diretor-desportivo da W52-FC Porto já na fase pós-operação "Prova Limpa", afastou-se quando a equipa teve de terminar e reapareceu pouco depois a liderar a União Ciclista da Maia, uma das mais modestas formações sub-23. A transição foi tão inesperada que o técnico de 54 anos teve de a explicar a O JOGO.

"A saída da W52-FC Porto foi tomada em consciência, pois já não se tratava do projeto para que fora convidado, o de uma equipa profissional. Passara a ser uma formação de sub-23, que teria de conciliar com a minha outra vida profissional. Ia fazer uma pausa no ciclismo quando surgiu o convite inesperado do Maia. O presidente António Pereira e o Paulo Couto chamaram-me para um projeto de futuro, trabalhando com jovens para daqui a dois ou três anos a União Ciclista da Maia tentar regressar onde já esteve", contou Henriques, revelando mais: "Isto é um desafio que a Câmara da Maia lançou à direção do clube, para em dois ou três anos o concelho voltar a ter a sua equipa na elite. É esse o objetivo em que estamos a trabalhar. Convém recordar que esta continua a ser a equipa portuguesa com mais títulos internacionais".

A famosa Maia-Milaneza, criada em 1994, ganhou quatro vezes a Volta a Portugal, brilhou na Vuelta e no Paris-Nice, mas a intenção é regressar ao pelotão principal português, até porque a equipa atravessa uma fase modesta, tendo apenas a edilidade como grande patrocinador.

"A Maia também foi afetada, na sua imagem, pelo que se passou com a W52-FC Porto, embora não tivesse qualquer relação com o caso, apenas a coincidência de o diretor-desportivo estar ligado às duas formações. O projeto ficou um período em suspenso, por faltar o diretor-desportivo, e estamos agora a trabalhar de novo. É uma equipa de jovens e no Douro só temos cinco porque os restantes estão em época de exames e a prioridade é o curso", diz Henriques, algo sentido por, quando vestiu de azul e branco, ter acreditado nos ciclistas. "Separo o atleta do homem e senti uma falta de respeito. Nós acreditamos neles, não esperávamos aquele desfecho. Não subscrevo o que fizeram, mas consigo entender o que os levou a cometer um erro que lhes marcou as carreiras e as vidas pessoais. Sou solidário", confessou, achando que o ciclismo ainda precisa "de fazer uma limpeza profunda na sua casa, e isso tem de vir de cima, das instituições com responsabilidade".

Carlos Flórido