Não Profissional

É pintor, esteve nas bancadas do Jamor em 2018 e agora marca pelo clube do coração

Reprodução/ Aves 1930

Capela estava longe de imaginar que ainda ia ter a oportunidade de voltar a representar o Aves

São 16h00 e a reportagem de O JOGO tenta falar com Capela. "Podemos conversar depois das 17h30? Agora estou a trabalhar e não consigo", respondem-nos do outro lado.

Pouco depois, nova tentativa de falar com o jogador que marcou o primeiro golo do agora designado Aves 1930, que caiu da I Liga para a II Distrital do Porto, depois de se ter separado da SAD, entretanto desqualificada do Campeonato de Portugal. Esta é a nova vida do Aves, que formou uma equipa maioritariamente composta por jogadores que passaram pelas camadas jovens para se começar a reerguer.

Capela, 34 anos, pintor no setor da construção civil, e médio-defensivo em horário pós-laboral, fez a formação no emblema do concelho de Santo Tirso e chegou a participar em dois jogos pela equipa principal, em 2003/04, quando estava estava na II Liga. Depois, andou essencialmente pela AF Braga, mas também por clubes suíços, e estava longe de imaginar que ainda teria a possibilidade de voltar à casa de partida.

"Eu achava isso impossível. Se aqui estou é porque o Aves está num momento diferente, mas nunca na vida podia pensar que o regresso era possível", admite. No passado domingo marcou o primeiro dos quatro golos com que o Aves 1930 bateu o Invicta SC. Para trás ficaram as idas ao estádio... como adepto. "Sempre que podia tentava acompanhar o clube. Estive, inclusive, no Jamor, nesse dia inesquecível", salienta, aludindo à final da Taça de Portugal de 2017/18, que o Aves conquistou, frente ao Sporting.

O trinco não ficou indiferente aos últimos meses manchados por salários em atraso, autocarros arrestados ou ameaças de falta de comparência às derradeiras jornadas da I Liga. "A SAD acabou por manchar o nome do Aves. Tudo isso não retrata o que é este clube", sublinha.

A possibilidade de vir ajudar os nortenhos nesta nova era fez-se sem pensar. "Assinei de papel em branco. Só quero ajudar o clube a reerguer-se", completa. Subir à I Divisão da AF Porto é o objetivo imediato. "Claro que no futebol nada é certo, mas é o mínimo que podemos fazer, respeitando todos os adversários", conclui.

João Maia