Opinião

A creche da Bundesliga

ECOS SEM VÍRUS - A opinião de Manuel Queiroz.

A creche da Bundesliga

Angela Merkel anunciou que a I e a II Bundesliga pode voltar depois de uma reunião com os ministros-presidentes dos Estados Regionais. Mas aquilo que chegou a estar apontado para dia 9 deve ser na verdade mais para o fim de maio.

Mas todos têm dúvidas e o facto de Salomon Kalou ter posto a circular um vídeo do balneário do Hertha em que não respeitava uma série de regras de distância social não ajuda nada. Um cronista escreveu que Kalou mostrou que o futebol alemão "não parece uma creche - é mesmo uma creche".

Lagardère filho

Alguns lembrar-se-ão que Artur Jorge, quando foi a primeira vez para Paris, foi pela mão de Jean-Luc Lagardère, então dono do Matra Racing e também de um grupo de media.

O filho Arnaud herdou-o, mas não tem o carisma do pai e tem hoje um grupo muito endividado. Na recente assembleia do grupo, o franco-arménio Joseph Oughourlian, primeiro acionista do Fundo Amber e também acionista e presidente do RC Lens, que acaba de subir à I Liga, atacou-o mas Arnaud foi reeleito. O grupo, que inclui o "Paris Match", a "Europe 1", a editora Hachette e os postos de venda Relay, mantém a direção. Mas é capaz de não ser por muito tempo.

De resto, o setor tem tido movimento em tempo de covid: em Itália, Carlo de Benedetti, 85 anos, fundou um novo diário de esquerda: "Domani", a sair proximamente. De Benedetti foi também quem lançou o "La Repubblica" há 44 anos, com Eugenio Scalfari.

Estratégias e narrativas

A generalidade dos governos tem optado, como o português, por conferências diárias com boletins epidemiológicos em que juntam políticos e técnicos. Há países, como a Inglaterra, em que o político vai rodando entre diferentes membros do governo, em Portugal a rotação é mais curta. Depois há os EUA. Primeiro havia a conferência diária de Donald Trump, acompanhado por vários técnicos (que muitas vezes o desmentiam...), ele que antes nunca se mostrara muito favorável a encontros com a Imprensa, mas que foi interrompida para dar lugar, nos últimos dias, à sua secretária de Imprensa, Kayleigh McEnany.

Os seus conselheiros acharam que essa exposição diária não era boa para a campanha - há eleições em novembro, não esquecer. Já Andrew Cuomo, o governador de Nova Iorque, a zona mais atingida do país, continua há mais de um mês, sem parar, com as suas conferências de Imprensa onde fala longamente. Tem sido eficaz, até nos ataques que fez a Trump pedindo mais apoio federal, e por isso continua, porque a narrativa é dele e é ele. É comunicação em tempos de muita exposição.

Manuel Queiroz