Opinião

Tudo a ressacar

Estar quase um mês sem futebol do melhor é uma péssima ideia. Tempo a mais para quem tem feridas para lamber.

As ressacas europeias continuam a dar que pensar. Por mais extensos e valiosos que sejam os plantéis, as faturas das jornadas da UEFA aparecem para pagar até nas casas dos mais poderosos.

Atente-se na jornada de ontem da Alemanha. Depois de a meio da semana ter ganho em casa do Tottenham por um incrível 2-7, ontem o Bayern perdeu em casa (1-2) com o Hoffenheim. E não, não se trata de uma equipa-sensação, é mesmo um emblema modesto, a lutar pela permanência. Nas seis jornadas anteriores, amealhara cinco pontos! O Borússia Dortmund, esta época servido por um plantel capaz de lutar até pela Champions, na quarta-feira foi a Praga vencer o Slávia e ontem deixou pontos (2-2) em casa do Friburgo, esse sim, a fazer um brilharete. Tem 14 pontos, tal como o Leipzig, outro candidato ao título incapaz de bater o Leverkusen (1-1), neste caso com a agravante de ter perdido antes com o Lyon.

O exemplo alemão é bom pelo facto de quase todos nós considerarmos a Bundesliga o expoente da capacidade física. A ideia de um português perder no confronto físico com um alemão não é fantasiosa. Os alemães não se vencem com as armas deles, mas contrariando-os e confundindo-os. Voltando à questão das faturas europeias, tocam a quase todos. Em Inglaterra, o Liverpool, com um plantel de sonho, sem ter de viajar, novamente a jogar em Anfield, precisou de um penálti em tempo de compensação para bater o Leicester.

Os exemplos dados são significativos. O cansaço não é só físico, até os heróis de jornadas gloriosas estão sujeitos a sofrer a seguir. Os derrotados ficam em condição ainda pior. Uns conseguem reagir, a outros a derrota fica a moer. Veja-se o caso do Tottenham: depois de humilhado em casa pelo Bayern, ontem foi perder (3-0) ao terreno do Brighton & Hove Albion. O soco de terça-feira foi demasiado violento, causou estragos difíceis de quantificar, por estarem para além dos pontos.

Por cá é diferente, não há ressacas. Alguém decidiu estar um mês sem futebol do melhor. Não haver jogos hoje, dia de eleições, é uma decisão elementar em prol da democracia num país abstencionista; diferente é riscar o resto do fim de semana, principalmente quando é sabido desde há muito que, sempre que podem, depois da Seleção os principais clubes preferem jogar uma competição menos exigente, por terem jogadores espalhados pelo mundo e a regressar sabe-se lá como. Só que desta vez, para alguns, é muito tempo a lamber feridas.

Redação