Silas entra no Sporting a pressionar alto no discurso. Mesmo sabendo-se que este Sporting já não queima treinadores, prometeu audácia e risco.
Promovido a milagreiro, Silas assentou praça no Sporting com o discurso certo. Na primeira aparição pública, deu uma aula de comunicação, usando uma oratória escorreita, inequívoca e ambiciosa, como há muito não havia em Alvalade. Uma das preocupações foi até negar a ideia da necessidade de apelar a milagres, substituindo-os pela crença no trabalho a fazer. Se vai ter a paz exigível para o desenvolver, ver-se-á a seguir, mas precisava de entrar a bater o pé e conseguiu-o.
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Acossado de todos os lados, o presidente Frederico Varandas não resistiu a revelar uma memória: lembra-se de ter visto Silas, de cachecol, a comemorar o último título do Sporting, no longínquo ano de 2002. O agora treinador não pretende ver-se agarrado ao selo e lembrou ter feito nessa época dois golos ao Sporting, representando o União de Leiria. Mas a verdade é que Silas é mesmo o homem do cachecol. À chegada prometeu pôr em prática a ideia de jogo em que acredita, e toda a gente sabe os riscos que comporta. Por isso anunciou uma forma de jogar arriscada e arrojada, deixando claro duas coisas: que é nessa ideia que acredita e "requer que todos acreditem". Chegamos ao ponto: a união dos cachecóis. E esse será um enorme desafio.
Para conquistar as bancadas, terá primeiro de agarrar a pulso uma equipa desfeita. A conjuntura é tão complicada que nesta altura falhar em Alvalade não queima currículos. Silas só tem a ganhar. O risco está todo do lado de Varandas.
