João Araújo

João Araújo

Deus perdoa, Thomas não… E o contrarrelógio?

Resolvida que parece estar a questão da liderança da Sky - na estrada, como os responsáveis da equipa britânica sempre defenderam -, a favor do camisola amarela, vale a pena sublinhar que não só o galês mostrou estar melhor do que Froome como respondeu afirmativamente à dúvida sobre como se aguentaria na terceira semana do Tour, teste ao qual nunca fora devidamente submetido. E ainda amealhou uns segundinhos - grande demonstração de confiança e vontade de vencer! -na duríssima chegada da original etapa de hoje, que provocou mesmo estragos. Que o diga Froome, que a 2m31s do colega de equipa na geral terá mesmo de ficar feliz por ser um Sky que não ele a subir ao lugar mais alto do pódio de Paris.
Tudo indica que far-se-á história nesta Volta a França, mas dificilmente acontecerá o quinto triunfo do britânico nascido no Quénia e sim uma estreia. Thomas ou Dumoulin? Essa é a questão e todos os olhos estão já nos 31 quilómetros do contrarrelógio de sábado, pois a complicada etapa de sexta-feira termina com 20 quilómetros de descida. Não é crível que, em condições normais, o holandês ganhe dois minutos ao galês no exercício individual, apesar de ser superior na especialidade de maior sofrimento do ciclismo. É campeão mundial de contrarrelógio em título e nos 12 em que se defrontaram, de 2013 até hoje, só por uma vez Thomas ficou à frente de Dumoulin, no Tirreno-Adriático do ano passado (um foi oitavo, o outro 13º). Os dados de Dumoulin nesses confrontos são, no entanto, arrasadores: cinco vitórias e quatro segundos lugares; Thomas tem um segundo, um terceiro e mais quatro top-10. O pior que Dumoulin fez foi o já referido 13º posto...
Só que com 1m59s de desvantagem e com a camisola amarela no corpo de Thomas - que dá uma motivação extra a quem a enverga -, a missão de Tom Dumoulin parece impossível. Até porque o derradeiro "crono" de uma grande volta depende, em maior medida, de questões de motivação e do estado físico do que de ser ou não especialista.

Na berma do Tour

O melhor sítio do pelotão está longe de ser o ideal

Um engenheiro belga, chamado Bert Bocken, professor nas universidades belga de Lovaina e holandesa de Eindhoven, concluiu com exatidão, com recurso a supercomputadores, superprogramas de análise de dados e simulação em túnel de vento com 121 bonecos em tamanho real, qual o melhor local para se estar num pelotão de ciclismo. E, para além do que nos diz o senso comum - que ir na roda de outro ciclista permite poupar energia! -, quantificou os ganhos consoante o posicionamento: por exemplo, ir na cabeça do pelotão, de cara ao vento, não é o mesmo que ir de cara ao vento mas sozinho, em fuga. O que puxa o pelotão faz 86% do esforço de um fugitivo, porque o estudo do engenheiro belga demonstra que a termodinâmica faz com haja uma pressão da roda dianteira do segundo ciclista do pelotão sobre a roda traseira do que vai na sua frente, ou seja, "empurra-a". O estudo foi ao ponto de determinar que na cauda do pelotão basta fazer entre 5% a 7% do esforço de quem vai na frente para manter a mesma velocidade.