Só uma indústria unida conseguirá deixar de ser desprezada pela tutela

Só uma indústria unida conseguirá deixar de ser desprezada pela tutela
Sónia Carneiro

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LIGA-TE - Um artigo de opinião de Sónia Carneiro, diretora executiva da Liga.

Temos repetido com a assertividade que nos é característica - que é mais feitio do que defeito - que os clubes têm a capacidade de se autorregular e de se impor regras e sanções que vão para além do exigido às outras atividades.

Tivessem estes mesmos clubes a perceção do seu poder e lograssem unir-se num objetivo comum, largando a permanente conflitualidade entre si e contra a instituição que os agrega, e perceberiam como poderiam ser mais ricos, mais reconhecidos e o poder que verdadeiramente poderiam exercer.
A cada final de época, de uma forma mais ou menos explícita, com o fito, maioritariamente, de apagar os maus resultados desportivos ou financeiros, surgem as críticas e afrontas às entidades reguladoras.
São tantos os desafios já identificados que, em conjunto, entidades e clubes, poderiam vencer para reforçar o seu poder, a sua capacidade de influência e, sobretudo, a capacidade económica, que nos questionamos sobre as razões que os levam sempre pelo caminho errático.

Esta semana li, com cuidado, as declarações de alguém que respeito, e estimo, que dizia: "Os clubes têm tido dificuldades em cooperar. Depois da covid, período em que todos sofreram, devemos pensar no que podemos fazer juntos para proteger os investimentos desta indústria".

Não podia estar mais de acordo com o Dr. Domingos Soares de Oliveira, pois é na Liga, e com a Liga, que os clubes, juntos, têm o caminho aberto para a defesa desta indústria. Poder competir com os melhores da Europa em situação de igualdade, reforçar o valor dos direitos televisivos internacionais, ter tratamento fiscal adequado à atividade desenvolvida, ter o IVA dos bilhetes ao valor dos demais espetáculos, ter direito a receber o valor das apostas desportivas internacionais, ver as suas perdas elegíveis para a bazuca da união Europeia...

São tantos os desafios já identificados, que só uma indústria forte e unida conseguirá deixar de ser desprezada pela tutela em episódios caricatos como o tratamento desastrado do tema do público nos estádios, apenas possível porque o futebol tem sido a soma das partes, sem nunca ser o total.
Este é o caminho conjunto há muito traçado: queiram os clubes deixar de se guerrear, queiram os clubes promover as instituições que os defendem e que muitas vezes, solitárias, assumem as guerras para a melhoria da indústria.

Ficam aqui os parabéns aos campeões da época, Sporting Clube de Portugal e Estoril Praia, e os votos de muita sorte para todos os demais que ainda buscam os seus objetivos nos campeonatos e na época mais atípica e desafiante de sempre.