Silêncios obrigatórios

DE SALTO NA BOLA - Opinião de Sónia Carneiro

Oito dias depois, o FC Porto-Sporting continua a ser tema de reflexão obrigatória. É unânime que o que se passou após o apito final, diante dos 48350 espetadores no Estádio do Dragão, é inadmissível.

Mas, igualmente, deveria ser unânime que qualquer comunicação a quente, sem apuramento dos factos, sem enquadramento dos sujeitos responsáveis, só exalta mais os ânimos e potencia mais violência.

Desta vez, bem andou a Liga e, já agora, a Federação, em nada dizerem, pois existem instâncias próprias dentro de cada uma destas instituições, em concreto a Comissão de Instrutores (CI) e o Conselho de Disciplina (CD), respetivamente, para se pronunciarem, com propriedade e de acordo com os regulamentos, sobre os factos ocorridos.

Nem sempre a aparência de condicionar perceção vale mais do que a verdadeira decisão. No caso, as organizações disseram muito mais caladas do que a papaguear comunicados e conferências de imprensa desprovidas de utilidade.

O CD, com o poder legal que lhe é conferido para punir sumariamente e para instaurar processos de inquérito e disciplinares, já o fez. E acredito que a CI já estará a proceder às necessárias diligências para recolha de prova e, depois, proferir acusações ou propor arquivamentos.

A partir de agora, a expetativa de todos é que essas Instâncias disciplinares tomem as decisões com a celeridade que o caso reclama, para que não nos confrontemos com mais uma decisão inútil.

E, porque outrora fui muito visada por conta de uma opinião pessoal, não posso deixar de expressar que foi com regozijo que tomei conhecimento da decisão do Supremo Tribunal Administrativo na parte em que reconhece que as questões estritamente desportivas estão fora das competências de recurso dos tribunais comuns ou arbitrais.

Vi alguns doutos comentadores a insinuar que esta decisão, face à impossibilidade de cumprimento da sanção pelo jogador em causa, era "uma bonita sentença para emoldurar". Concordo inteiramente, não pelas razões que apontam, o caso concreto é o que menos importa. Importa, sim, emoldurar, em local visível, para que nunca mais questões técnicas dependentes da decisão do árbitro em campo possam ser reavaliadas em tribunal.

Com esta decisão já não será necessário "montar um mini-tribunal de recurso, a cerca de dois metros da linha de fundo, onde os jogadores poderão ser ouvidos e apresentar a sua defesa de cada vez que lhes seja exibido um cartão ou assinalada uma grande penalidade", como então ironizei.