Portugal corre risco de perder lugar na Liga dos Campeões

Portugal corre risco de perder lugar na Liga dos Campeões
Sónia Carneiro

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LIGA-TE -Sónia Carneiro, diretora executiva da Liga de Clubes, escreve em O JOGO sobre a defesa dos campeonatos nacionais face à elitização da Liga dos Campeões.

Portugal acolheu, esta semana, as reuniões do Board e da assembleia geral da European Leagues, a organização internacional que congrega as ligas europeias do futebol profissional. É um reflexo do prestígio do futebol nacional na Europa que este evento tenha tido lugar no nosso país, organizado por uma associada da European Leagues, a Liga Portugal.

Ao longo de dois dias, que sucederam às Jornadas Anuais da Liga Portugal e no mesmo palco, ficou claro o consenso na rejeição de uma Superliga dos Campeões, reservada apenas aos mais ricos e com a possibilidade de jogos ao fim de semana.

Não é esse futebol elitista e glutão que as ligas europeias defendem, mas sim a proteção dos calendários nacionais, da competitividade intra e inter-ligas e o diálogo construtivo de soluções que protejam o futebol de todos, o futebol dos adeptos.

Um diálogo, enfim, modelado no que os presidentes da Liga Portugal, Pedro Proença, e da LaLiga, Javier Tebas, vêm mantendo e que se tem centrado nos perigos do modelo competitivo proposto pela UEFA. A "Frente Ibérica", conforme já a apelidou O JOGO, defende os jogos nacionais ao fim de semana e aponta armas ao fosso cavado entre clubes ricos e os restantes.

Caso a ideia preconizada pela UEFA vingasse, Portugal correria mesmo o risco de não ter qualquer equipa na principal competição europeia de clubes, com custos incalculáveis para as nossas sociedades desportivas. Seria a forma de perverter a realidade atual, que coloca Portugal em terceiro lugar no grupo das ligas com maior número de presenças nos quartos de final da Liga dos Campeões e da Liga Europa, apenas ultrapassada pelas portentosas ligas inglesa e espanhola.

Conforme defendeu Pedro Proença, não há boas competições internacionais sem boas ligas nacionais pelo que, no progresso natural das competições, há que encontrar pontos de equilíbrio que defendam a equidade competitiva e todos os clubes, independentemente do tamanho.
O futebol profissional português apenas se poderá fazer ouvir com a força da sua verdadeira valia se as sociedades desportivas que o compõe se unirem à volta de um mesmo ideal, a exemplo do que fizerem os clubes da Premier League, quando emitiram um comunicado conjunto defendendo estes princípios.

A necessidade de articulação, e que os planos anunciados pela UEFA para as competições europeias colocam em perigo as ligas nacionais, o mérito desportivo e o direito ao sonho foram, precisamente, as principais conclusões desta sessão.