Os programas eleitorais não tratam o desporto com a dignidade devida

Os programas eleitorais não tratam o desporto com a dignidade devida
Sónia Carneiro

Tópicos

DE SALTO NA BOLA - Um artigo de opinião de Sónia Carneiro.

A uma semana das Legislativas, resolvi espreitar os programas eleitorais dos partidos com assento parlamentar naquilo que são as propostas para o Desporto e para o futebol, em particular.

Numa breve resenha, constato que o programa do maior partido da oposição tem o desplante de não consagrar uma única proposta ou referência ao Desporto. Para o PSD, o Desporto limita-se a ser uma forma de os mais velhos se manterem ativos. Nada mais. Com Rui Rio a subir nas sondagens, este facto revela-se, no mínimo, assustador.

O mesmo se passa com o CDS: sem uma ideia, sem um conceito, nem uma real proposta, bastando-se com o desporto escolar e uma generalidade sobre o alto rendimento.
A IL, no seu longo e completo programa, limita-se a uma curiosa perspetiva da função da RTP2 na divulgação das modalidades.

Seguindo para os partidos mais à esquerda, percebe-se que o PAN vê o Desporto com uma conotação local e de proximidade das famílias às autarquias.

Com sensibilidade bem diferente, mais conhecedora da realidade e necessidades, o Desporto encontra eco nos programas da extinta Geringonça. O Bloco vê-o como motor de inclusão social e apresenta medidas para criação de fundos de apoio ao desporto e ao movimento associativo.

A CDU vai mais longe e contempla no seu programa sete medidas de salvaguarda da atividade. Destaco duas, que deveriam merecer acolhimento daqueles que vierem a ser Governo. Em concreto, a "assunção da função da medicina desportiva como elemento constituinte da política nacional de saúde", tema já outrora abordados em colóquios em que participei e uma velha demanda dos médicos das sociedades desportivas, e a "garantia do cumprimento da regulamentação no desporto profissional, salvaguardando os direitos dos praticantes profissionais e a sua integração económica e social pós-carreira e a promoção do acesso generalizado à formação de técnicos e dirigentes", luta que igualmente acompanhei ao coordenar formações com vista à valorização profissional dos intervenientes.

Já o PS, num programa mais completo no que diz respeito ao desporto, deixa claro que a cooperação entre autoridades, agentes desportivos e cidadãos, será a solução para erradicar comportamentos e atitudes violentas, de racismo, xenofobia e intolerância em contextos de prática desportiva. Depois do insucesso do cartão do adepto, o partido do Governo tem em mente colocar em prática algumas das soluções preconizadas pelas sociedades desportivas.

Em resumo, os programas eleitorais continuam a não tratar o desporto com a dignidade devida, esquecendo as muitas propostas que se lhes foram sendo colocadas em cima da mesa nos últimos cinco anos e já aqui referidas em artigos anteriores.