O VAR não cai do céu

DE SALTO NA BOLA - Opinião de Sónia Carneiro

De uma vez por todas, coloquem o VAR". Onde? Na II Liga. O pedido é do treinador do Benfica B, António Oliveira, melindrado com decisão do árbitro da partida de sábado, da 28.ª jornada, contra o Mafra, que a equipa B perdeu.

Com ou sem razão, importa perceber a quem deve ser dirigida a exigência do técnico, igualzinha às exigências de todos os treinadores dos outros 17 emblemas do mesmo campeonato.

A implementação do VAR tem um custo: começa por tê-lo para as sociedades desportivas, que têm de ter instalações para acolher a infraestrutura tecnológica; depois tem um custo para a Liga, que é o conjunto das sociedades desportivas das duas divisões, onde as do escalão principal têm dois votos em assembleia geral e as do segundo têm apenas um (e isto tem um custo nas decisões políticas do organismo). Apesar do caminho já percorrido, foi algo, até agora, impossível de superar.

Por fim, tem o custo da operação: a arbitragem é um serviço comprado à Federação Portuguesa de Futebol, que é quem paga os salários aos videoárbitros e árbitros assistentes de VAR, sendo também quem investe na sua formação. E por ser um custo do governo do futebol foi tão fácil implementá-lo na fase de subida da mais alta competição organizada pela FPF, a sua Liga 3.

Como disse acima, é simples: basta que o técnico do Benfica B convença a sua sociedade desportiva, que até é das mais importantes do País, e que esta mova influências junto das restantes para assumirem a implementação do VAR na II Liga.

Tornei público, durante os anos em que estive na Liga, que considero a Liga Sabseg como uma competição que merece tratamento análogo à Liga BWIN. É ali que os jogadores têm a primeira oportunidade profissional, é a liga que alimenta a prova principal e até as seleções. Não é possível desprezá-la sob pena de se estar a desprezar o melhor que o futebol nacional pode ter.

Na Direção da Liga estão representados os emblemas do segundo escalão e estará na hora de apresentarem propostas ao Executivo, como os Estatutos permitem, para depois serem - ou não - aprovadas em AG. O investimento no VAR na II Liga deveria liderar essas propostas.

As equipas querem o VAR na II Liga? É preciso pagá-lo. Organizem-se e façam disso uma decisão do coletivo associativo, que o VAR não cai do céu.