O risco de investir num clube de futebol é assustadoramente maior

O risco de investir num clube de futebol é assustadoramente maior

DE SALTO NA BOLA - Opinião de Sónia Carneiro.

A cada quinze dias sento-me em frente ao computador para escrever um artigo para O JOGO e confesso que é algo que me apraz sinceramente. E se há semanas em que não tenho nenhuma dúvida sobre o que quero partilhar, há outras, como esta, em que são tantos os temas que me assaltam a alma que fico perdida na utilização deste meu espaço.

Desde a chocante decisão da Autoridade da Concorrência contra o Futebol Profissional, passando pela decisão do Conselho de Disciplina de instauração de processo disciplinar ao Portimonense, a descida de divisão da histórica Académica, o triste término do campeonato ucraniano, a nova configuração da Liga dos Campeões e a perda que lhe está inerente para clubes como o Braga ou o FC Paços de Ferreira ou os casos de racismo e xenofobia no campeonato brasileiro, a minha nomeação como árbitro do TAD ... Sobre todos me apetecia escrever algo, mas tentando manter o foco naquilo que não será mera retórica opinativa, tenho de me ater sobre a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa no diferendo Belenenses, clube e SAD.

A decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, conhecida na presente semana e que premeia a eloquência argumentativa, teórica e jurídica, da minha boa amiga e Professora, Maria de Fátima Ribeiro, é uma das maiores facadas alguma vez dada na evolução do investimento no futebol indústria.

Os argumentos jurídicos são avassaladores, mas a aplicação à realidade será devastadora para o investimento, nacional e estrangeiro, nos clubes portugueses.

Apesar da notável evolução dos últimos anos em termos de receitas conjuntas das equipas do futebol profissional, é inegável que uma equipa para competir aos mais alto nível no futebol profissional precisa de investidores, bons, dedicados e robustos investidores.
Veja-se o bom exemplo do Famalicão, do Vizela, do Portimonense e até do Tondela em contraponto, por exemplo da Académica de Coimbra.

Um qualquer investidor vai, a partir de agora, ponderar e reponderar se a aquisição de uma posição de relevo, com investimento de milhares de euros, num qualquer clube do futebol português não vai correr o risco de ser aniquilada por uma eleição de um qualquer saudosista que acha que o que é bom para o clube é estar "orgulhosamente só" sem investimento, sem capital, sem a moderna visão empresarial, daquilo que hoje é, inegavelmente, o futebol profissional no Mundo.

O risco de investir num clube de futebol passou, a partir desta semana, a ser desmensurada e assustadoramente maior.