Mapa de apostas

Simultaneamente, é a forma de tornar transparente e sindicável um negócio a que alguns criminosos dão mau nome, teimando em fugir à regulação que a BWIN, a Santa Casa, a ESC, a Betano, a Solverde e outras estão adstritas a cumprir.

Cinco anos e quatro dias após o terramoto que destruiu parcialmente Lisboa em 1755, foi publicado um real decreto dedicado a "considerar e calcular com todo o exame, madureza e exatidão, as distribuições mais cómodas [...] das ruas [...] de Lisboa" para que "os comerciantes e os artífices se arruassem" para "comodidade dos compradores". Nele se atribuía a rua Augusta aos "mercadores de lã", a rua Áurea aos "ourives do ouro", a rua Nova da Princesa aos "mercadores de lençarias ou fancaria" e por aí fora, sem deixar devidamente arrumados os pronto-a-vestir ("algibebes") e as lojas de "quincalheria".

Esta arrumação nova do espaço urbano lisboeta seguia a linha medieval de organização por mesteres, presente por todo o país e que hoje nos ocorre ao observar duas mercearias em lados fronteiros da mesma rua ou três farmácias numa praça central.

Um padrão que parece ter chegado ao futebol com a multiplicação dos patrocínios a operadores de apostas que, em boa hora, vieram contribuir para a sustentabilidade económica de um sector muito afetado pela pandemia, como não nos temos cansado de (também aqui) reclamar.

Há riscos nesta opção, e foram devidamente ponderados pela Liga Portugal aquando das negociações com o patrocinador da Liga Portugal BWIN, que sabemos que os diversos clubes nossos associados que seguiram esta via - e são muitos - também sopesaram.

É, porém, a forma mais direta de as empresas que montam um modelo de negócio sobre a nossa atividade darem o seu justo contributo para a saúde financeira das competições que partilhamos. Simultaneamente, é a forma de tornar transparente e sindicável um negócio a que alguns criminosos dão mau nome, teimando em fugir à regulação que a BWIN, a Santa Casa, a ESC, a Betano, a Solverde e outras estão adstritas a cumprir.

A lei portuguesa é exigente e o empenho da Liga Portugal e dos clubes profissionais é sincero no sentido de, com um trabalho conjunto, o futebol poder servir de plataforma legitimadora das apostas desportivas perante o Estado e o público. Foi com esse objetivo que a Liga Portugal e a BWIN se comprometeram formalmente com a promoção da ética no desporto, da verdade desportiva e do jogo responsável e, juntas, lutarão contra a combinação de resultados.

Compromisso que terá ainda como objetivo auxiliar na produção de legislação apta a erradicar as casas de apostas ilegais que potenciam ilegalidades ao mesmo tempo que sonegam rendimentos ao Estado e em consequência aos clubes.
São obrigações recíprocas para um objetivo comum, que não surpreenderá os nossos leitores mais fiéis: um futebol profissional cada vez mais credível e sustentável.