"Lugares em pé nos estádios para devolver as bancadas aos adeptos"

"Lugares em pé nos estádios para devolver as bancadas aos adeptos"
Sónia Carneiro

Tópicos

LIGA-TE - A cronista Sónia Carneiro escreve hoje, em O JOGO, sobre sobre a possibilidade de se voltar a ver os jogos de pé em determinados setores dos estádios da I e II ligas.

A propósito da celebração do Dia Internacional da Mulher, que a Liga Portugal assinalou com atividades e festejos dedicados às mulheres do futebol profissional, mas com a participação de ambos os sexos, ocorrem-nos uma série de lugares-comuns, mais ou menos sexistas, como o que titula esta crónica.

O que certamente não é para meninos nem para meninas, mas fica reservado a uns quantos (sempre demasiados!) selvagens, é a violência doméstica. É essa a mensagem que, em uníssono, é proclamada, em todos os 18 jogos da 25.ª jornada da Liga NOS e da LEDMAN LigaPro, pelos jogadores e agentes de arbitragem, que se apresentam em campo vestindo a mesma camisola e sancionam com cartão vermelho este flagelo.

Trinta e duas Sociedades Desportivas, a Liga Portugal, a Fundação do Futebol, os embaixadores da Liga Portugal, a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol, a Associação de Futebol do Porto e seguramente todos os demais agentes desportivos: um só propósito - Cartão Vermelho à Violência Doméstica!

Também o futebol, o verdadeiro, sentido no estádio, com cheiro a relva e sabor a vitória, não é para meninos nem para meninas. É para adeptos aguerridos, que vibram com a sua equipa e com ela sofrem ao longo de 90 gloriosos minutos, sentados nas bancadas... ou em pé!

Sabemos que a imagem de uma massa de adeptos a participar no jogo, em festa e em pé, não surpreende os espectadores da nossa modalidade. Infelizmente, porém, é um fenómeno que o nosso legislador teima em não reconhecer.

Na Alemanha, em Inglaterra, um pouco pelos principais campeonatos da Europa - a civilizada, aquela onde a violência doméstica é coisa do passado -, os estádios têm sido equipados com sectores sem cadeiras, para os adeptos que preferem viver os jogos em pé.

Estes celebram assim o futebol, sem correrem o risco de danificar cadeiras que, por muito resistentes que sejam, não estão concebidas para aguentar a exteriorização das emoções de que este jogo (também) vive.

A opção por estádios integralmente encadeirados, que se compreendia à luz da necessidade de prevenção da sobrelotação, deixa de fazer sentido quando o controlo de entradas é feito com recurso a torniquetes e PDAs articulados com uma sectorização que a nossa Comissão de Vistorias, a cada época, verifica.

Confiante nos mecanismos que implementou, a Liga Portugal, em sede de revisão da Lei da Prevenção da Violência, propôs a possibilidade de existirem sectores com lugares em pé nos estádios, para devolver as bancadas aos adeptos e, já agora, às adeptas.