Jogadores chamados a intervir

Sónia Carneiro

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DE SALTO NA BOLA - Um artigo de opinião de Sónia Carneiro.

No próximo encontro anual do IFAB, a 25 de novembro, o organismo responsável pela regulamentação das Leis do Jogo irá discutir, além do mais, a Lei 3, que define o número de substituições permitido nos jogos das competições principais.

Trata-se de decidir se a alteração temporária que, em resposta às dificuldades suscitadas pela pandemia, permitiu aos organizadores das competições incrementar o número de substituições para cinco (em três momentos do jogo e ao intervalo), deve perder o caráter transitório e permanecer para lá do período pandémico.

Em maio de 2020, a Liga Portugal lançou mão da possibilidade que o IFAB abria, certa de que serviria para promover o bem-estar de jogadores num momento física e psicologicamente muito exigente. Porém, e embora a autorização tenha entrado imediatamente em vigor, sendo suscetível de aplicação nas competições cuja conclusão (mesmo com atrasos) estivesse prevista para antes de 31 de dezembro de 2020, a sua concreta aplicação dependia da aprovação do organizador da competição.

Com a coragem característica de quem está habituado a decidir e a errar para o lado da proteção da saúde dos atletas e da promoção da competição, a Liga avançou. Com passos sustentados, com transparência e através da auscultação de todos as sociedades desportivas, a Direção da Liga deliberou a aplicação desse critério de substituições sem recorrer a alteração regulamentar habitual. Não o esqueço, pois, à data, alguns que hoje assumem funções de relevo em sociedades desportivas optaram por me atacar pessoalmente por esta opção regulamentar. Afinal a história vem confirmar o acerto da decisão.

O mundo do futebol está em plena mudança e as decisões do futuro próximo vão afetar o mercado, bem como as condições de trabalho e bem-estar dos futebolistas profissionais, mas é sabido que o poder do dinheiro das instituições internacionais vai sempre ter uma palavra maior e o risco de desinteresse nas ligas internas e a desvalorização das equipas sem acessos europeus é cada vez mais eminente. Para obviar, as Ligas pedem aos jogadores que entrem em campo para a definição do futuro das decisões a nível europeu e para a inevitável luta contra as decisões das cúpulas internacionais, suportadas nas respetivas federações.
A importância dos jogadores passa, agora, do campo para o bom governo do futebol, pela mão das Ligas Europeias que, com a FifPro (Associação Internacional de Futebolistas Profissionais), se comprometem numa "governança partilhada do futuro do futebol". Há agora oportunidade de reforço da sensibilidade para os interesses das Ligas e a saúde dos jogadores em oposição às sucessivas propostas de sobrecarga do calendário com competições internacionais e prejuízo direto de ligas e jogadores.