Igualdade

DE SALTO NA BOLA - Um artigo de opinião de Sónia Carneiro.

A Liga Portugal, a exemplo das últimas épocas desportivas, dedica a jornada deste fim de semana ao apelo contra o racismo, associando-se ao Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.
Igualdade entre os Homens, independentemente da raça ou cor da pele; lutei por esta causa e agrada-me que não a tivessem esquecido.

No âmbito desta campanha, a Liga e a sua Fundação organizaram um webinar moderado pela Coordenadora de Comunicação, Vanda Cipriano, mas houve quem confundisse igualdade de raça com igualdade de género e tivesse criticado o formato porque os convidados foram só homens.

E tendo-se recentemente assinalado o Dia Internacional da Mulher, esta reflexão não deixa de ser curiosa.
As mulheres têm assumido cada vez mais um papel preponderante no desporto, na política, no dirigismo desportivo, enfim, na sociedade.

As mulheres continuam a ter que dar provas mais incisivas do que os homens, mas tal só acontece por culpa exclusiva de outras mulheres, que permanentemente se diminuem e até ridicularizam.

As mulheres são tão trabalhadoras e tão competentes como os homens e está na hora de deixarem de exigir tratamento especial em função do género. Têm é que demonstrar capacidade, conhecimentos e competência, e, aí, terão as mesmas oportunidades.

Sou mulher e assumi durante alguns anos um cargo de relevância no futebol profissional, nunca a minha intervenção pública existiu para que o painel fosse diversificado. Era convidada, porque se entendia que acrescentaria valor. Trabalhei tanto como qualquer um dos homens da equipa e ainda o fazia, de salto alto.
Não tenho qualquer dúvida que há muitas outras mulheres aptas para assumir papéis de relevo no futebol e, provavelmente, aparecerão na ribalta, no dia em que deixarem de se comportar como seres inferiores credores da natureza.

Ter orgulho em ser mulher e assumir definitivamente que a igualdade reclamada só depende do trabalho e dedicação de cada uma de nós, é uma máxima que deveria acompanhar todas as que acham que a oportunidade vai aparecer porque, afinal, é preciso preencher quotas.