Futebol profissional português teve receitas de 626 milhões de euros

Futebol profissional português teve receitas de 626 milhões de euros
Sónia Carneiro

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LIGA-TE - Sónia Carneiro, cronista de O JOGO, escreve hoje sobre as contas do futebol profissional

Pela segunda época consecutiva, a Liga Portugal e o seu parceiro estratégico, a consultora EY, apresentaram o Anuário do Futebol Profissional Português. Este documento pretende ser uma radiografia do estado financeiro e económico do futebol profissional nacional, agregando as contas das sociedades desportivas e da Liga Portugal.

Este exercício, que deve ser recorrente, é fundamental para se perceber quer o impacto direto desta atividade económica, quer a sua evolução. Esta análise é crucial para se compreender quais as estratégias individuais ou conjuntas que se podem implementar para aumentar a competitividade do sector e dos seus players.

O futebol profissional português representa pelo menos 0,20% do PIB nacional, apenas contabilizando impactos diretos na economia, com uma contribuição fiscal de, pelo menos, 24 milhões de euros (IRS, IVA sobre bilhética e Segurança Social dos trabalhadores do sector não entram para o cálculo, por falta de informação, mas também se preveem de alto impacto).

Estamos perante um sector com elevada capacidade de gerar emprego, sendo o mesmo responsável por mais de 1958 postos de trabalho, afetos às mais variadas áreas desde o terreno ao suporte, gestão e administração do futebol. Este sector, pelo seu nível elevado de especialidade, é ainda responsável pela formação de talento, conduzindo a elevados valores de exportação (transferência de jogadores e treinadores para o estrangeiro) e de projeção da marca Portugal.

As receitas totais da Liga Portugal e das suas Sociedades Desportivas, na época 2017-18, cifram-se em 626 milhões de euros.

Olhando para os números gerados por esta indústria, que provoca grandes paixões, existem três pontos que nos saltam à vista. Esta é sem sombra de dúvida uma das indústrias criadora de valor a nível nacional, com elevadas potencialidades de exportação da marca Portugal além-fronteiras; não podemos deixar de olhar para o sector com uma dupla tutela, integrando o Ministério de Economia e a Secretaria de Estado do Desporto e Juventude; e por último, é urgente medir o impacto indireto deste sector, na restauração, alojamento, transporte, entre outros sectores.

Fica o desafio ao governo para na próxima legislatura se disponibilizar a fazer a atualização da conta satélite para o desporto, com principal incidência no futebol profissional.