Fui o que sempre sou: livre. Até já

Fui o que sempre sou: livre. Até já
Sónia Carneiro

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Sónia Carneiro escreve a última crónica no jornal O JOGO.

Durante seis anos de trabalho direto com o futebol profissional, muitos foram os momentos em que vi artigos de opinião sobre futebol de pessoas que não faziam a mínima ideia do que estavam a dizer. Comentavam simplesmente para aparecer ou porque alguém lhes pagava para isso.

É quase como aqueles advogados comentadores que não sabendo nada do que está no processo se dão ao luxo de alvitrar sentenças, olvidando que o que não está no processo, não está no mundo.

Quarenta semanas após a minha saída da Direção Executiva da Liga já não conheço os processos. Durante muitos meses partilhei a minha opinião com a propriedade de quem domina cada um dos temas sobre o que escreve. Com a propriedade de quem liderou uma equipa e que controlou cada um dos temas, desde a gestão da pandemia aos calendários, quadros competitivos, Copa Ibérica, Taça da Liga, pós-graduações ... muitos extraordinários projetos.

Quem nunca dominou os dossiês pode opinar no vazio, eu não posso, nunca o fiz e jamais o farei. Não é o meu estilo!
Não posso, com legitimidade, escrever agora sobre as assembleias gerais da Liga e da Federação, sobre as polémicas de legalidade ou ilegalidade dos contratos, sobre os licenciamentos para participação das competições profissionais. Não posso, porque não conheço os processos.

Fundamento cada uma das minhas opiniões com os argumentos que só quem tem o controle dos documentos, das conversas, das reuniões, dos testemunhos, pode ter, talvez por isso me tenha destacado como advogada que voltei a ser.

Foi incrível escrever neste jornal, primeiro na minha coluna "Liga-te" e agora na "Salto na Bola", e nesta em particular, pois não estive nunca condicionada a nenhuma estratégia ou tese política. Fui o que sempre sou: livre.

Uma palavra ao José Manuel Ribeiro, obrigada pela confiança e por me deixar a porta aberta neste seu, nosso, jornal.
Deixo de ser cronista, mas continuarei leitora atenta, pois a minha saída não é um adeus é só um até já. Vou, com tranquilidade, preparar os próximos desafios.