Filhos do mundo

DE SALTO NA BOLA - Opinião de Sónia Carneiro

Em 1985, Sting lançava ao mundo a música que viria a ser um sucesso pop, "Russians", em que um trecho assim se traduzia: "Partilhamos a mesma biologia, independentemente da ideologia. Acredite em mim quando digo: Espero que os russos também amem os seus filhos."

Confesso que, nos últimos dias, esta música tem-me vindo à memória especialmente porque acho efetivamente que alguns russos não amam os seus filhos e estão disponíveis a destruir o seu futuro. São os filhos da Rússia que estão a invadir e a atacar a Ucrânia e são os filhos dos Europeus que estão a perder a vida a lutar por manter fronteiras reconquistadas há mais de 30 anos.

São os filhos dos russos que agora estão impedidos de participar nas competições desportivas que lhes deram fama e glória.
São os filhos dos russos que estão a ser despojados dos seus bens por todo o mundo.

Mas são os filhos da Europa que estão agora a viver uma guerra que lhes vai necessariamente condicionar a visão do mundo e o futuro.

Quando todos estamos certos das atrocidades de Putin é frustrante a impotência da comunidade internacional para pôr efetivo fim a esta guerra.

E, de repente, o Desporto e o Futebol veem-se na obrigação de tomar posição nesta guerra. O silêncio, aqui, não poderia ser a solução, não se poderia assistir, impávidos e serenos, a ver atletas, treinadores e dirigentes ucranianos de arma na mão a defender o seu país, a sua vida, e nada fazer contra os opressores.

Numa perspetiva economicista, a FIFA inicialmente não teve a coragem que afinal, impulsionada pelas críticas de todo o mundo, se viu obrigada a ter, e em conjunto com a UEFA, acabou por decidir que todas as equipas russas, sejam seleções ou clubes, passam a estar suspensas de participar nas competições da FIFA e da UEFA.

Decisão aplaudida por todos, mas que nos obriga questionar: que culpa têm os filhos dos russos dos devaneios do seu líder?
Esta guerra mostra-nos que a Humanidade não aprendeu nada com a pandemia que nos fustigou nos últimos dois anos. E voltando à música: "Não há um monopólio do bom senso!". Mas há a clara necessidade de protegermos os nossos filhos e já agora, os filhos dos russos.