Estabilidade permitirá ao Governo revolucionar a política desportiva

Estabilidade permitirá ao Governo revolucionar a política desportiva

DE SALTO NA BOLA - Um artigo de opinião de Sónia Carneiro.

Numa semana em que a UEFA identifica que, na época 2020-21, a pandemia representou para o futebol europeu uma perda, só em bilheteira, de cerca de 4,4 mil milhões de euros, e considerando que, na mesma época, a quebra em Portugal, nesta rubrica, rondou cerca de 96% das receitas habituais, urge que se olhe para os prejuízos das sociedades desportivas, que, ainda sem centralização dos direitos audiovisuais, precisam de receber apoios efetivos.

Velhas demandas das sociedades desportivas, como a reformulação da Lei que regulamenta o regime dos seguros de reparação de acidentes de trabalho dos jogadores de futebol, a alteração da portaria de define as percentagens destinadas aos clubes nas apostas desportivas, o regime fiscal das sociedades desportivas e dos atletas profissionais de desgaste rápido e, até, o IVA dos bilhetes, têm obrigatoriamente de ser objeto de análise neste novo mandato.

Não tenho dúvidas de que entre os eleitos por António Costa para o seu novo Governo estarão alguns dos mais responsáveis e conhecedores da realidade desportiva deste país e não será admissível que se perca a oportunidade de trabalhar, com seriedade, os dossiês que o ainda Secretário de Estado da Juventude e Desporto colocou na agenda política, mas não teve apoio, ou poder, para alavancar.
As eleições legislativas do passado domingo trouxeram a surpreendente maioria absoluta do Partido Socialista; o momento de estabilidade política que se antecipa permitirá que, com a coragem devida, este Governo possa revolucionar a política desportiva vigente e aprovar as medidas reclamadas.
Não faz sentido que o desporto não tenha uma secretaria de estado própria e que esta atividade, com tamanha relevância económica e social, seja dividida com a juventude e subjugada à educação.

Entre vencedores e vencidos, que a semana já devidamente escalpelizou, não posso deixar de realçar a importância da ministra da Saúde para o resultado eleitoral. E se dúvidas houvesse quanto ao papel das mulheres na sociedade, e agora na política, os nomes que já se vão antecipando para os maiores cargos, ao lado do indigitado primeiro-ministro, são, também, de mulheres. Em boa hora o país está a mudar!