Comportamento correto de dirigentes e adeptos poderia ser um cartão branco

Comportamento correto de dirigentes e adeptos poderia ser um cartão branco

DE SALTO NA BOLA - Um artigo de opinião de Sónia Carneiro.

"O combate à violência no desporto é uma prioridade, e é sempre uma luta contínua, mesmo que haja evolução nesse trabalho é sempre possível fazer mais», disse Ana Catarina Mendes, ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, na audição no Parlamento no âmbito da discussão na especialidade da proposta de Orçamento do Estado.

O novo elenco governamental, com tutela sobre o desporto, já identificou uma parangona para o discurso de um dos temas que mais chamuscou os seus antecessores. Assumir que a violência no desporto é transversal e baralhar insultos nas bancadas e desacatos de dirigentes nos relvados, misturando-os com acertos de contas entre grupos de cidadãos, não vai, seguramente, ajudar a que se encontre o caminho certo. E talvez o Governo só se deva dedicar às questões sociais, pois as que são diretamente relacionadas com o desporto, especialmente com o futebol profissional, há entidades que têm a obrigação de as tentar controlar, responsabilizando, como dói mais, os seus associados.

Num momento em que a Liga trabalha a centralização dos direitos televisivos, afigura-se-me que seria relevante que na divisão as verbas o tema da violência pudesse ser colocado na equação. O comportamento correto de dirigentes e adeptos, poderia ser uma espécie de cartão branco, transformado em euros. A entidade que gere o futebol profissional tem aqui uma grande oportunidade de fazer, por si, a grande diferença, não só no combate a comportamentos violentos, que mais não são do que maus exemplos para a sociedade, mas também a exemplo da sua congénere espanhola, por via da distribuição das verbas relativas à comercialização (centralizada) dos direitos de transmissão televisiva, se prosseguir a finalidade de prevenir a combinação de resultados, tema que tem aparentemente sido esquecido, mas que representa um relevante monstro para o desporto.

Com efeito, mesmo para aqueles que possa ser irrelevante, do ponto de vista desportivo, a partir do momento em que cada lugar na tabela classificativa tem uma verba diferente na respetiva distribuição, do ponto de vista comercial, existirá interesse em disputar a competição até ao fim, e sensibilizar agentes e adeptos, para comportamentos leais e corretos.