Alguns árbitros têm talento, perderam foi quem os apoiasse

Alguns árbitros têm talento, perderam foi quem os apoiasse
Sónia Carneiro

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DE SALTO NA BOLA - Uma opinião de Sónia Carneiro

Esta semana recordei um episódio da minha infância em que, de mão dada com o meu pai, lá fui ver mais um qualquer jogo do Distrital. À data, ele exercia funções na Associação de Futebol do Porto e acompanhava de perto as competições. Ora, nenhuma das duas equipas me dizia nada e perguntei-lhe: qual vamos apoiar? A resposta do meu pai foi: "Vamos apoiar o árbitro."

Na altura não me fez grande sentido, o árbitro não iria ganhar ou perder, ou sequer empatar, por que razão precisava de apoio? Hoje, com a constatação de que nenhum dos nossos árbitros, ou árbitras, teve lugar no Mundial do Catar, percebo que já poucos se dispõem a "apoiar os árbitros."

Passaram a ser os alvos fáceis e preferenciais de todas as frustrações dos resultados e se o VAR veio ajudar a repor (na maioria dos casos) a verdade desportiva, não é menos verdade que deixou a nu algumas das fragilidades destes agentes desportivos.

Não podemos escamotear a realidade e, desde Pedro Proença, não houve quem se destacasse pela qualidade e talento, mas, convenhamos, talvez esteja na hora de os responsáveis do setor aceitarem que algo estão a fazer menos bem em prejuízo dos nossos árbitros.

E não me digam que alguns não têm talento, porque têm!, o que perderam foi quem efetivamente os apoiasse. Entre os valores que orientavam os princípios da Liga Portugal o meu preferido era o Talento e que reiteradamente, então diretora executiva, fui destacando nos meus artigos e apresentações. Repeti sem hesitar que era o Talento o grande trunfo e principal capital de que dispomos no futebol português.

E a história tem-me dado razão: jogadores e treinadores portugueses estão entre os melhores do mundo e vários se sagraram campeões na época que agora finda, demonstrando isso mesmo, puro talento. Há quem esteja a fazer bem o seu trabalho.

Uma nota final para o inigualável José Mourinho, cinco vezes vencedor de competições da UEFA e note-se que desta vez, a exemplo de 2004, com uma equipa sem os craques milionários de outros emblemas.