A frase que ouvimos e que nos deixa um sincero amargo de boca

A frase que ouvimos e que nos deixa um sincero amargo de boca
Sónia Carneiro

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LIGA-TE »» Um artigo de opinião de Sónia Carneiro, diretora executiva da Liga.

"A LigaPro 2019-20 terminou no relvado, mas vai arrastar-se muito tempo nos tribunais!", frase que ouvimos esta semana e que nos deixa um sincero amargo de boca.

Foi a Liga Portugal que primeiramente defendeu e sempre acreditou que ambas as competições profissionais tinham capacidade e condições para retomar esta época. Por ironia do destino, é agora a Liga que é demandada em quatro ações judiciais dirigidas a esse término imposto pelo Governo, contra o qual lutou com armas desiguais e ficou vencida.

É legítima a deceção daqueles que viram o seu projeto desportivo ser ceifado da possibilidade de se concretizar, ainda por cima quando alguns parceiros, sem qualquer comunicação prévia ou conversa à mesa de negociação, aproveitaram para cortar até um terço dos valores contratados - na mesma proporção, dizem, dos jogos "não entregues".

Tudo o que de mal pode acontecer a uma competição aconteceu à nossa LigaPro. E, volvidos 60 dias da autorização para a Liga NOS retomar, o Conselho de Ministros continua a não autorizar as competições coletivas de qualquer modalidade, exceto a Liga Nos e a Taça de Portugal.

Pelo caminho, avultam as polémicas, os prejuízos e, principalmente, as oportunidades perdidas. Contudo, manter 18 equipas em "banho-maria" a aguardar uma decisão que não chega, seria abrir campo às especulações e perder a oportunidade de estancar as perdas que se avolumavam. É que, caso ainda nos mantivéssemos na indefinição do futuro da LigaPro, mais de meio milhar de jogadores estariam em suspenso e 18 equipas não poderiam planear a próxima época. Urgiu resolver o passado, para preparar o futuro; balizar a época desportiva 2019-20 da LigaPro, por forma a que, de acordo com a nova realidade, pudessem determinar-se para o futuro.

A decisão assumida pela Direção da Liga, revela-se, à luz dos factos presentes, corajosa e presciente.
Os tribunais decidirão se as decisões tomadas em tempo e com seriedade, merecem ou não censura; sabemos, porém, que foram acertadas. E uma outra certeza temos: a próxima época será a mais exigente que o futebol alguma vez teve.

O calendário reduzido em quase um mês, a incerteza sobre as exigências da DGS para as competições, a dúvida sobre a autorização do governo para a existência de futebol além da Liga NOS, enfim, um sem-número de dúvidas que serão combatidas com a constância da Liga ao lado das nossas equipas da LigaPro. Pelo menos daquelas que, face às decisões que se nos impuseram, tiveram o tempo e alguns fundos para poderem enfrentar e fazer face a uma nova época.